Farsul promoveu evento que teve participação especial da Secretária da Fazenda do RS. Emerson Foguinho / Divulgação Sistema Farsul
A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) promoveu na quinta-feira (29 de janeiro) o seminário “Reforma Tributária e o Agro”. O encontro, realizado na sede da entidade e transmitido ao vivo pelo canal da entidade no YouTube, procurou esclarecer a produtores rurais, contadores e advogados as profundas mudanças no sistema de impostos brasileiro.
A abertura do evento foi conduzida pelo presidente do Sistema Farsul, Domingos Velho Lopes, que destacou a relevância do tema para o setor que move a economia nacional.
Segundo ele, o engajamento dos sindicatos rurais foi fundamental para mobilizar a classe produtora diante de uma mudança de paradigma que não permite mais a alienação dos negócios em relação ao fisco. A secretária da Fazenda do Rio Grande do Sul, Pricilla Santana, reforçou que a reforma é uma tentativa de reduzir o “Custo Brasil” e aumentar a eficiência econômica. No entanto, ela deixou um alerta claro: “IVA é custo. Se você apura errado ou não controla seu crédito, seu concorrente terá um custo menor que o seu”. A secretária ressaltou que 2026 será o “ano do aprendizado” e da articulação técnica.
Palestrantes
Durante os painéis técnicos, especialistas como o contador Hugo Monteiro da Cunha e o advogado Anderson Trautman Cardoso detalharam a transição dos antigos impostos (ICMS, ISS, PIS e COFINS) para o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).
Um dos pontos de maior atenção foi a situação dos pequenos e médios produtores. Com o novo limite de R$ 3,6 milhões em faturamento para a obrigatoriedade de se tornar contribuinte, muitos produtores que antes eram isentos agora terão que optar entre o regime simplificado ou o sistema de débitos e créditos. A escolha, segundo os palestrantes, deve ser estratégica, visando não perder competitividade junto à indústria. A gestão eficiente dos créditos tributários passou a ser vista como o novo diferencial competitivo.
Sandro Elias, diretor da Safras & Cifras, destacou que, além do consumo, o produtor deve ficar atento às alterações que a reforma traz de forma indireta para o imposto sobre a renda e o patrimônio, reforçando que a gestão profissional nunca foi tão indispensável.
O agronegócio brasileiro conseguiu vitórias importantes no texto da reforma, como apontou Renato Conchonn, coordenador do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A redução de 60% em relação à alíquota padrão para insumos e produtos agropecuários e a isenção estratégica, como itens da cesta básica, além de frutas, hortaliças e ovos, que terão 100% de redução em determinados regimes são alguns exemplos dessas conquistas após o trabalho da CNA.
O seminário encerrou com um tom de urgência e colaboração. A mensagem final foi unânime: o produtor rural precisa se preparar para as novas regras que entrarão em vigor nos próximos anos.
O seminário na íntegra está disponível no neste link