Evento apresenta tecnologias para redução de emissões e consumo energético, além de painéis voltados às práticas de ESG durante a Feiconference. Foto: divulgação
A procura pela redução de impacto ambiental é uma realidade e necessidade no setor da construção civil que, apesar de representar apenas 6% das emissões nacionais, é responsável por 37% do CO₂ relacionado à energia e processos industriais e 21% das emissões globais, de acordo com o relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Com isso, a FEICON 2026, maior feira da construção civil da América Latina, trouxe como uma das vertentes da programação a adaptação do setor em termos de sustentabilidade, transição energética e adaptação climática.
Entre os destaques, com soluções que atendam à nova realidade da construção, está o processo de fabricação da Selecta Soluções em blocos. A empresa utiliza biomassa em seus fornos, além de combustível obtido a partir de resíduos de móveis descartados, como guarda-roupas e sofás, que são reaproveitados no processo industrial.
Já a solução para lixamento sem pó foi apresentada pela Norton Abrasivos, que permite obras em hospitais sem a necessidade de desocupação de leitos, por exemplo. A peça abrasiva é formada por tramas, telas e é conectada a uma central de aspiração.
Outra inovação que chama atenção nos corredores da feira é a proposta da Tigre Água e Efluentes (TAE) diretamente para o consumidor final: a UNIFAM, uma solução individual de tratamento de esgoto com capacidade de tratar até 800 litros de esgoto por dia. A tecnologia elimina odores e reduz a geração de lodo, além de possibilitar o descarte seguro da água tratada no meio ambiente.
Além disso, a FEICON 2026 apresenta a Rota da Sustentabilidade, que reúne produtos que têm como objetivo a redução de consumo energético, eliminação de emissões e eficiência operacional. São 12 empresas selecionadas com inovações de destaque no setor e que atinjam um mínimo de 10 entre 25 critérios ESG nas soluções.
“Falar de sustentabilidade, eficiência, aprimoramento técnico e tecnológico com aplicação de produtos que realmente causam um impacto na sociedade é muito significativo. A FEICON busca destacar esses produtos que são inovadores, sustentáveis e eficientes porque o mercado vem considerando isso cada vez mais importante”, afirma Ivan Romão, diretor da FEICON, reiterando a importância da feira sempre estar alinhada com o mercado enquanto vitrine do setor da construção.
Selo Inovação Varejo
Outro destaque da FEICON 2026 é o Selo Inovação Varejo, que expõe soluções e tecnologias com diferencial em aplicação, design e que são benéficos para a movimentação do setor.
Entre os destaques, a Onduline (localizada no estande A071), um tapume ecológico feito com fibras de vegetais, que é reutilizável e não conduz eletricidade. Enquanto isso, a Tramontina (no estande F150) inovou ainda mais ao produzir uma cadeira com plástico reciclado vindo do litoral brasileiro, que conta com rastreabilidade da matéria-prima. A empresa tem parceria com ONGs que recolhem esses materiais.
Por que o setor precisa se adaptar?
Como o Acordo de Paris estabelece metas para limitar o aquecimento global e zerar as emissões até 2050 (e o Brasil, de diminuir até 2035), a construção civil precisa rever processos e investir cada vez mais em ações e tecnologias sustentáveis.
Durante a programação desta quinta-feira (9) da 2ª edição da Feiconference, Karolina Gutiez, gerente sênior de comunicação, relações institucionais e sustentabilidade da Schneider Electric, trouxe uma visão não apenas sustentável, como também integrada com impacto social, no painel “Transição energética com propósito: por que ela precisa ser justa e inclusiva”.
A especialista mostrou como funcionam as missões sociais da Schneider Electric, ilustrando o case das lanternas solares, que foram utilizadas para a cozinha comunitária de uma comunidade com 3 mil refugiados venezuelanos em Roraima (RR). A Schneider, inclusive, está fazendo uma campanha interna de doação na FEICON com o objetivo de arrecadar mais lanternas. “As nossas missões na Schneider já beneficiaram 60 milhões de pessoas desde 2009, levando soluções energéticas para comunidades isoladas, na Amazônia e em outras regiões rurais também do país”, conta.
Qual o preço da falta de adaptação?
André Santos do Nascimento, coordenador técnico comercial de resiliência climática urbana na Amanco, responde à pergunta: US$16 milhões de dólares por hora – dados que constam em um estudo da revista Nature publicado em 2023.
O painel apresentado pelo especialista na Feiconference, “Adaptação Climática na Drenagem Urbana: A Transição das Soluções Convencionais para Sistemas Inteligentes”, trouxe uma perspectiva inovadora sobre os impactos das mudanças climáticas nas cidades e as demandas da construção civil, mostrando tecnologias hídricas e seus impactos em enchentes como a ocorrida em 2024 no Rio Grande do Sul (RS).
O modelo apresentado foi o AquaCell, solução que controla e mitiga inundações causadas pela água da chuva. Utilizando a tecnologia holandesa com material reciclado, o Aquacel substitui o concreto por um material plástico. “Essa tecnologia reduz em até quatro vezes a emissão de CO₂”, afirma André.
Último dia
A FEICON 2026, principal evento voltado para os mercados de construção civil e arquitetura na América Latina e reconhecido como o ambiente perfeito para atualização, visão estratégica, inovação e contato direto com os principais players da construção civil e arquitetura encerra nesta sexta-feira, dia 10, e traz na programação outros debates que abordam comunicação, networking, e uma nova perspectiva sobre a geração Z no setor da construção civil. A feira acontece no São Paulo EXPO, das 10h às 20h, e a edição de 2026 conta com o patrocínio da BB Consórcio. Para mais informações acesse o site oficial da FEICON.
Confira a cobertura completa do 3º dia da FEICON e da Feiconference no blog (clique aqui).