Da padaria, startup a grande indústria, como usar dados gratuitos (e ou) baratos sem cair na ilusão do ‘faça-você-mesmo’?
por Kátya Desessards
Entenda – definitivamente – ESG não é só papo para multinacional !!!
Quando alguém fala em ESG, muita gente já imagina uma sala de reunião chiquérrima, com executivos engravatados discutindo relatórios de 200 páginas. Mas a verdade é que ESG é como tempero: se você exagera, estraga; se você esquece, fica sem graça. E não precisa ser a Natura ou o Itaú para usar — até a padaria ou o camelô da esquina podem se beneficiar.
Por isso, é sempre importante ter atenção, pois dados não são decisões. Plataformas gratuitas ou não, ajudam a enxergar o cenário, mas quem traduz isso em ação é o profissional de ESG. Sem ele, o risco é virar refém de relatórios bonitos sem impacto real. E para facilitar, trago algumas das Plataformas internacionais que valem o click.
A primeira dica é a plataforma DeepESG, que é uma calculadora de carbono que fala português. Mesmo sendo paga, é acessível e serve para TODOS os tipos de empresas, porque ela ajuda a medir e reportar suas emissões de carbono e outros indicadores ESG. E por que é muito útil? Pequenas e médias empresas podem descobrir onde estão seus maiores impactos sem gastar com consultorias caríssimas. Como exemplo de usabilidade trago o exemplo de uma Cervejaria, no interior da Bahia. Ao usar o DeepESG, eles perceberam que o maior impacto vinha do transporte das garrafas.
E qual Solução eles podem obter? Fazer uma parceria com uma fábrica local de embalagens retornáveis. E qual será o Resultado: menos emissões, mais marketing positivo e ampliação da Imagem e Reputação. Além é claro, de servir de exemplo positivo para a comunidade lindeira a sede da empresa e a própria cidade. Mas atenção: a empresa teve um mentor em ESG que ajudou a interpretar os dados e a desenhar as melhores estratégias. Sem esse olhar, a cervejaria poderia ter focado em áreas de menor impacto. É uma realidade muito comum. Fazer ‘em casa’ e depois acaba pagando mais caro para realinhar tudo e produzir novas ações internas a externas.
Outra boa ferramenta acessível a todos, é o SOVEREIGN ESG DATA PORTAL um verdadeiro MAPA–MUNDI da sustentabilidade que reúne dados ESG de mais de 200 países de forma ampla com indicadores sociais, ambientais e de governança. Ele é extremamente útil e ideal para as empresas compararem políticas públicas ou entenderem o contexto de um país antes de investir ou expandir. Hoje, o Comex (Comércio Exterior) é uma forma de venda que está muito democrática. De micro, pequenas, médias ou grandes, esta relação comercial está aberta. O Sebrae tem feito essa desmistificação do Comex junto a micro e pequenas.
Vamos ver um exemplo prático, mas hipotético: Uma startup especializada em EcoModa, do interior de Santa Catarina, usou o portal para comparar o Brasil com o Peru em políticas de reciclagem têxtil. Descobriram incentivos fiscais no Peru e decidiram abrir uma linha de produção lá, mas com total comunicação com a fábrica do Brasil. Dentro desse cenário que poderia ser real, um profissional de ESG analisou se essa expansão fazia sentido para o modelo de negócios e como alinhar a operação às metas de impacto.
E por que é importante haver essa simbiose entre a área de negócios e a Governança ESG? No exemplo, mesmo sendo uma startup que possui uma gestão mais ágil, um passo de expansão dessa magnitude precisa estar atrelado a um conjunto de indicadores mais complexos. Olhar apenas se o mercado será ou não promissor, ou se estará dentro da capacidade de investimento da empresa, é temerário.
A capacidade das empresas em entender e ter a capacidade de gerar rapidez adequado ao ‘Modis-Operandi’ da execução de cenários adversos, é entender que não há 100% de previsibilidade, Gestores e equipes precisam alçar mão de algo mais empírico: sensibilidade de perceber o cenário. E no setor da moda, além de ser um mercado muito volátil, é também um dos maiores geradores de impacto ambiental positivo e negativo do planeta. É um tema que trarei um aprofundamento num artigo exclusivo sobre esse mercado.
E seguindo com as dicas…
Há uma abundância de opções de PLATAFORMAS BRASILEIRAS.
Sim, o Brasil é um berço de criatividade e soluções que merecem nossa total atenção. Vejo empresas que pagam muito caro por funcionalidades e tecnologias que poderiam comprar de um fornecedor do seu próprio bairro, cidade ou estado. Um exemplo é a Lupa ESG — Transparência sem filtro, que faz a análise de relatórios ESG de empresas brasileiras de capital aberto. Vamos enxergar sua aplicabilidade no cenário de um ‘exemplo criativo que simulei’: A empresa Granja ‘Verde Vida’, produtora de ovos orgânicos, do interior de Minas Gerais usou a Lupa para entender como grandes empresas reportavam bem-estar animal. Inspirados, criaram um relatório simples, divulgaram no site e montaram uma campanha nas redes sociais para comunicar ao público, fornecedores e aos formadores de opinião.
O RESULTADO: conseguiram ganhar espaço em supermercados premium da capital e da Região Metropolitana de Belo Horizonte. E o diferencial? Eles não brincaram de especialistas em ESG; buscaram conselhos e análise de um consultor ESG que os ajudou a traduzir relatórios complexos em linguagem acessível para o consumidor final e para a rede de fornecedores. E uma surpresinha para você… Este exemplo foi REAL, aconteceu e tenho orgulho dele. Claro, o nome da granja é outro…
Uma questão a ser observada: No ESG, assim como na auditoria e na governança, se trabalha em grande parte das vezes, com dados e cenários MUITO sensíveis às empresas e dependendo da estratégia de busca por posição no mercado, divulgar certas movimentações internas enquanto o ‘carro’ anda, não é uma boa estratégia.
Fica a dica! Aguardar a evolução dos resultados sempre é o meu conselho. Entendo a ‘ansiedade’ das equipes de marketing e comunicação (como jornalista, sei do impacto positivo), mas a implantação precisa de tempo para gerar seus resultados mais robustos. Então, enquanto esperam, chá de camomila e usem o tempo para desenharem os passos da divulgação sempre executando uma SWOT para alinhamento. É minha segunda Dica de Ouro.
Direcionado a empresas de grande porte ou startups que já se consolidaram no mercado e querem elevar o ESG para um outro patamar, tem a Plataforma 4B3 ESG Workspace – o selo da Bolsa de Valores Brasileira (B3), que oferece indicadores ESG por setor e empresa. Acho importante ressaltar que a Plataforma ESG Workspace, foi um selo criado pela Bolsa brasileira, em 2022, que hoje possui dados sobre o ISE B3 (Índice de Sustentabilidade Empresarial), onde há uma seção inteira de Títulos Temáticos com dados de operações financeiras ligadas à sustentabilidade registradas no mercado. Com esse fluxo, a B3 vem impulsionando o desenvolvimento sustentável e acesso com a oferta de informações que ajudam na tomada de decisões alinhadas aos princípios ESG.
Veja no exemplo simulado (baseado em experiências que vivenciei), de como sua empresa pode usar esse banco de dados: A indústria ‘LâmpadaTec’ (nome fictício), que nasceu como uma empresa familiar e hoje tem 4 plantas fabris, com sede no interior de São Paulo: fabrica luminárias sustentáveis. Em 2023, percebeu pelo Workspace que o seu setor tinha baixa diversidade nos conselhos. Essa realidade, não era percebida como um problema, mas antes de tomarem qualquer decisão, fizeram uma pesquisa interna com gestores das quatro plantas fabris, no Paraná, Goiás, Ceará, e na sede em SP. Os resultados impressionaram. E decidiram convidar quatro engenheiras (mulheres) para o Conselho Executivo – uma de cada filial – e mais a gestora de Comunicação e Marketing da sede.
Foi um caminho árduo de 8 meses da execução de mudanças nos estatutos da empresa, a implantação de todos os ajustes de processos internos e externos. Tudo feito com muita análise e levando em conta o impacto aos acionistas, já que a empresa tem ações na B3 e investidores e parceiros externos em projetos de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento). E foi o profissional ESG quem conduziu, aconselhou e mostrou que diversidade não era só “pontinho no ranking”, mas uma estratégia de reputação e imagem, e acima de tudo de justiça interna, já que a maioria dos profissionais e gerentes eram mulheres, e não fazia qualquer sentido manter apenas o olhar masculino na operação e, também, nas estratégias de longo prazo.
Posso dizer que em 2025, com a mudança do Clima Interno a ‘LâmpadaTec’ alcançou 80% de satisfação interna, com aumento real de 45% na produtividade, com baixa de 68% das faltas por doenças emocionais e físicas. Esse cenário foi percebido diretamente na imagem e reputação da empresa que recebeu convite de uma grande multinacional (presente em mais de 80 países) para apresentar seu Case.
É… como digo sempre… IMAGEM é Tudo, e REPUTAÇÃO não se compra!
Outra grande ferramenta que recomendo, e é acessível a todos, é o Anuário Integridade ESG — Ranking com Propósito, que produz e publica rankings anuais de empresas com maior percepção ESG do Brasil. É uma fonte de pesquisa que ajuda muito gestores e também profissionais da área.
Simulei um cenário de aplicabilidade: A marca de cosméticos naturais ‘Flor do Cerrado’ (fictícia – mas baseada num cenário real), de Goiânia/GO, apareceu como destaque em práticas sociais. Isso foi percebido pelo mercado, e atraiu investidores de impacto, abrindo portas para exportar para a Europa. Neste caso, e em tantos outros de sucesso, o papel do mentor ou consultor ESG foi fundamental para transformar o reconhecimento em estratégia de expansão real com resultados já percebidos a médio prazo. Isso é FATO!!
E COMO USAR ESSES DADOS SEM CAIR NA ILUSÃO DO “FAÇA VOCÊ MESMO” ?
A dica que dou, para gestores e empresários, é de se cercarem de informações e ferramentas, como estas que trouxe e muitas outras que numa simples pesquisa você pode encontrar. Este é um bom ponto de partida para análise, num primeiro momento, dos cenários de suas empresas. O dono do negócio tem que se APROPRIAR do entendimento de como o ESG – implantado ou não – vai impactar diretamente a sua posição no mercado.
Claro… a implantação é uma escolha! POR ENQUANTO! Isto é um alerta…
Está muito perto de chegar o momento, onde a escolha não será mais uma OPÇÃO!
Mas tenha cautela, cuidado com ‘curiosos’, busque profissionais e empresas que – realmente – sabem o que é ESG para interpretar dados do seu setor e desenhar planos estratégicos e de ação. O ESG é como um ‘projeto de engenharia’, um cálculo errado e a ponte vai ao chão.
E vamos relembrar a história da VIDA REAL… Exemplo da Ciclovia Tim Maia (na Avenida Niemeyer), na cidade do Rio de Janeiro, teve um histórico mais que problemático, com registro de quatro desabamentos entre 2016 e 2019, que vitimou 2 pessoas, por conta de erros de cálculos e do processo de construção das suas estruturas que não suportaram a ressacas e chuvas fortes. Inadmissível isso!
E trago, um case prático e positivo: uma fábrica de móveis, por exemplo, pode descobrir que seu maior impacto positivo está na madeira certificada e rastreável. E seu impacto negativo está numa área fora da atividade fim da empresa, como o uso excessivo de copos de plásticos e de uso de papel no escritório. Neste cenário, o consultor ESG ajuda a negociar fornecedores, verificar novas formas de usabilidade e atua junto ao marketing e a assessoria de imprensa para comunicar isso ao mercado de forma correta…
Para estudantes e entusiastas curiosos que querem ter um panorama geral, podem explorar os dados para aprender, mas lembre-se: os relatórios não contam toda a história, trazem a perspectiva de algum período. Profissionais de ESG são quem conecta teoria e prática.
Exemplo: Um TCC sobre “ESG na América Latina” ganha profundidade quando orientado por especialistas que conhecem os bastidores das políticas públicas de cada país.
E para Profissionais que querem entender melhor a usabilidade prática do Universo ESG, sugiro: os dashboards e rankings como insumos, mas vá além: traduza números em narrativas e estratégias em decisões.
EXEMPLO: Uma consultoria pequena pode usar o Anuário Integridade ESG para criar cenários SWOT para convencer clientes a investirem, mas precisa destrinchar e interpretar os dados setoriais para propor mudanças reais.
DICAS PARA DEIXAR ESG IRRESISTÍVEL
Use analogias: ESG é como check-up médico — você não precisa estar doente para cuidar da saúde, mas precisa de um médico para interpretar os exames.
Traga humor com propósito: Sustentabilidade não é só plantar árvore e postar no LinkedIn.
Inclua exemplos locais: Isso aproxima o leitor e mostra que ESG não é coisa de outro planeta.
Evite jargões: Troque “materialidade setorial” por “o que realmente importa no seu setor”.
ENTENDA… Dados são bússola, profissionais são guias!
ESG não é só uma sigla bonita. É uma forma de pensar, agir e transformar. As plataformas gratuitas são bússolas poderosas, mas quem conduz a jornada é o profissional de ESG. Sem esse olhar, o risco é se perder em relatórios e rankings sem impacto real. Com dados e especialistas juntos, qualquer empresa — da padaria ao laboratório de biotecnologia — pode começar hoje. Sem desculpas. Sem enrolação. E sem precisar ser gigante para se destacar no mercado. #Prontofalei
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KÁTYA DESESSARDS | Conselheira e Mentora em ESG e Comunicação Estratégica. Integrante do Institute On Life – Co-Autora no livro: Gestão! Como Evoluir em uma Nova Realidade?
Experiência de 28 anos em diversos setores do mercado. | Quer Saber Mais? CLICK AQUI