Entrevista com Téo Foresti Girardi, CEO do GovTech Lab

Entrevista com Téo Foresti Girardi, CEO do GovTech Lab

“Capacitação é o motor da inovação no setor público”, Téo Foresti Girardi, CEO do GovTech Lab. Foto: divulgação

Por Editorial GovTech

Como transformar a máquina pública para que ela funcione de maneira mais inteligente?

Transformar a máquina pública exige mais do que digitalizar processos, é preciso repensar o próprio modelo mental que orienta a gestão pública. A transformação da máquina pública em uma estrutura verdadeiramente inteligente começa por uma mudança de mentalidade: sair da burocracia reativa e caminhar para uma gestão proativa, orientada por dados e evidências. O primeiro passo é investir em dados abertos, interoperabilidade e integração de sistemas, criando uma espécie de “rede neural governamental”, em que as informações circulem entre órgãos sem barreiras institucionais. Envolve os cidadãos via co-criação, usando ferramentas como hackathons para mapear dores reais. Por fim, adotar métricas de impacto, não só de processo: meça o que realmente melhora a vida das pessoas. É uma jornada de experimentação contínua, considere falhas como aprendizado.

Como superar os desafios da inovação no setor público?

Os desafios são muitos, resistência cultural, orçamentos apertados e regulamentações rígidas. Mas considero que o principal desafio é o desafio cultural. Inovar no setor público significa desafiar tradições, normas e hierarquias que foram construídas para garantir estabilidade, não para gerar mudança. É por isso que a inovação pública precisa de segurança jurídica, liderança comprometida e, acima de tudo, confiança.

Como a máquina pública pode capacitar líderes e gestores para impulsionar a inovação?

Capacitação é o motor da inovação. A máquina pública deve criar “academias de liderança” híbridas. A formação de líderes públicos precisa ir além da técnica, deve incluir competências como pensamento sistêmico, empatia, ética digital e colaboração intersetorial. Programas como o GovLeaders, por exemplo, têm justamente essa missão: formar gestores capazes de navegar na complexidade, conectar tecnologia com políticas públicas e transformar a inovação em valor público.

Como conseguir incluir soluções tecnológicas em governos que ainda não tem estruturas pensadas para analisá-las e recebê-las?

É necessário criar “pontes de inovação”. Plataformas como a GovTech Place cumprem esse papel: elas aproximam governos de startups e soluções validadas, reduzindo riscos e ampliando o acesso a soluções para os desafios reais.

Quais as diferenças entre Startups GovTech e Startups tradicionais?

As GovTechs têm um propósito público no centro do seu modelo de negócio. Enquanto uma startup tradicional busca escalar um produto para o mercado, uma GovTech busca resolver um problema de interesse coletivo, melhorar a educação, a saúde, a gestão fiscal ou o meio ambiente. Isso exige mais resiliência, compreensão das dinâmicas do setor público e compromisso ético com o impacto social.

Como os governos devem se preparar para interagir com a inteligência artificial no ecossistema de inovação?

A IA precisa ser compreendida como uma aliada estratégica, não como uma ameaça. Isso requer três movimentos: alfabetização digital dos servidores, governança ética dos dados e infraestrutura tecnológica interoperável. Mas o mais importante é garantir que a IA seja usada com propósito, para ampliar direitos, reduzir desigualdades e tornar o Estado mais responsivo ao cidadão.

Como promover a presença da mulher nos ambientes de inovação?

Promover a presença feminina na inovação requer intencionalidade e mudança estrutural. Não basta incluir, é preciso redesenhar os espaços e as dinâmicas de poder que historicamente excluíram as mulheres. Isso passa por políticas públicas de incentivo, programas de mentoria e redes de apoio que fortaleçam trajetórias femininas em ciência, tecnologia, inovação e gestão pública. A representatividade também é essencial: quando mulheres lideram projetos, startups e governos, elas não apenas inovam, mas redefinem o próprio conceito de futuro, tornando-o mais diverso, inclusivo e humano.

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