Entidades gaúchas detalham impactos e ações na cadeia orizícola

Entidades gaúchas detalham impactos e ações na cadeia orizícola
Coletiva com Federarroz, Farsul, Irga e Seapi reúne propostas sobre ICMS, comercialização, Mercosul e novos usos para o arroz. Foto: Emerson Foguinho / Divulgação Sistema FarsulA Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), em Porto Alegre (RS) e a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) realizaram entrevista coletiva na sede da Farsul, em Porto Alegre, nesta quinta-feira (5/2). Também participaram do encontro representantes do Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga) e da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi). Na pauta, a divulgação de medidas conjuntas das entidades para reverter a difícil situação enfrentada pela cadeia orizícola do Rio Grande do Sul.

Em apresentação realizada pelo economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, foram destacadas sete medidas elaboradas em conjunto para o curto e médio prazo, com o objetivo de reverter o quadro. Algumas delas já em andamento e outras a serem implantadas. Foram elas a difusão, com muita clareza e transparência, da preocupação das entidades com cenário de mercado do arroz para 2026 e recomendação de redução de área plantada; busca de mecanismos de comercialização; uso da Taxa CDO como instrumento estadual de estímulo às exportações e escoamento; proposta de redução de ICMS de forma temporária, no período de maior comercialização, para melhor competir com o Paraguai; proposta de desconcentração dos vencimentos de CPRs em 30/03 e 30/04 junto às indústrias, revendas e empresas multinacionais; alongamento de custeios juto às instituições financeiras; e Pesquisa, divulgação e medidas contra a venda de arroz fora do tipo especificado na embalagem.

Na abertura da entrevista coletiva, o presidente do Sistema Farsul, Domingos Velho Lopes, ressaltou o momento de maturidade das entidades, que passaram a atuar de forma conjunta no sentido de identificar gargalos e propor soluções. “É o momento mais delicado da pecuária e da silvicultura gaúcha da história”, afirmou.

Ele enfatizou que o principal objetivo do encontro foi trazer verdades técnicas para contrapor o que ele chama de narrativas equivocadas sobre o desabastecimento. Ele afirma que o setor não pode aceitar que a tragédia climática seja usada para justificar medidas que prejudicam o produtor. Domingos pontua que a comunicação direta com a sociedade é essencial para evitar o pânico que eleva os preços nas prateleiras de forma artificial.

Entre as dificuldades, o dirigente citou questões de mercado, fatores climáticos e a geopolítica internacional. “O produtor rural deixa de ser reativo para ser propositivo, por meio de reuniões sistemáticas. Em junho do ano passado, começamos a identificar a problemática do estoque de passagem, em função de uma excelente safra. Estamos sendo penalizados pela eficiência e não temos nenhuma política de proteção efetiva ao setor”, enfatizou.

Domingos foi incisivo ao criticar a Medida Provisória que autoriza a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a importar arroz. Para ele, o governo federal está cometendo um erro estratégico ao intervir no mercado com arroz importado e tabelado, o que ele descreveu como uma afronta ao produtor gaúcho que, mesmo em meio à catástrofe, conseguiu colher a safra. O presidente alertou que o preço artificial imposto pelo governo pode inviabilizar economicamente o plantio da próxima safra, transformando uma crise logística temporária em um problema real de produção no futuro.

O presidente da Farsul ressaltou que o problema enfrentado pelo Brasil não é a falta de arroz, mas sim a dificuldade de levá-lo do Rio Grande do Sul para o restante do país. Ele defendeu que o governo deveria focar recursos na reconstrução imediata da logística (estradas e pontes) e no apoio ao escoamento, em vez de gastar bilhões subsidiando arroz estrangeiro.

O presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, destacou a postura das entidades de antecipar cenários e propor soluções. “Fomos surpreendidos por uma das contingências mais difíceis dos últimos tempos na cadeia arrozeira. Em 2025, tivemos uma das maiores colheitas do Mercosul e, também, uma produção elevada em nível mundial. Isso pressionou os preços”, recordou.
Nunes citou ainda a entrada da Índia no mercado internacional, o que agravou o cenário ao deprimir os valores no mercado global e, consequentemente, na América do Sul, especialmente no Mercosul. “Somado a isso, tivemos uma supersafra, crédito difícil e juros altos. Esse conjunto de fatores nos levou a uma situação extremamente delicada, com uma recessão muito negativa nesta safra, que se arrasta até 2026. Esse cenário resultou em um endividamento significativo dos produtores”, concluiu.

No encerramento, as entidades reafirmaram a união do setor e definiram que haverá uma pressão contínua sobre a bancada federal gaúcha em Brasília. Será realizado o monitoramento do escoamento de forma diária para provar que o abastecimento está se normalizando. Os participantes afirmaram que o setor permanece aberto ao diálogo, desde que baseado em dados estatísticos e não em conveniência política.

Vídeo da coletiva na íntegra.

Arquivo da apresentação realizada.

Documento com resumo das ações.

Confira fotos do evento.

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Aldo Cargnelutti é editor na Rede Brasil Inovador.

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