Edital do MCTI e da Finep destina R$ 300 mi para projetos inovadores na Defesa

Edital do MCTI e da Finep destina R$ 300 mi para projetos inovadores na Defesa

Seleção integra o programa Mais Inovação Brasil e busca reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras. Foto: Divulgação

Projetos inovadores voltados à defesa nacional poderão sair do papel com apoio público. A nova chamada do programa Mais Inovação Brasil destina R$ 300 milhões para impulsionar soluções tecnológicas desenvolvidas por empresas brasileiras, com foco na autonomia produtiva, na geração de conhecimento aplicado e no fortalecimento da Base Industrial de Defesa. 

A iniciativa integra a segunda rodada do Finep Mais Inovação Brasil. Lançado em 6 de fevereiro de 2026 pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o edital estimula a criação de produtos, processos ou serviços inéditos, reduz a dependência de tecnologias estrangeiras e amplia a cooperação entre empresas e instituições científicas. 

Acesse o edital completo

A política de ciência, tecnologia e inovação é um instrumento estratégico para fortalecer a capacidade produtiva do País. “Estamos direcionando recursos para áreas sensíveis e estruturantes, porque fortalecer a base industrial de defesa significa ampliar nossa soberania, estimular a inovação nacional e gerar desenvolvimento com tecnologia própria”, explica a ministra do MCTI, Luciana Santos. 

A seleção faz parte dos programas mobilizadores do MCTI de reindustrialização e desenvolvimento tecnológico. A proposta é conceder subvenção econômica — recurso público que não precisa ser devolvido — a projetos com elevado grau de incerteza técnica, desde que alinhados às prioridades estratégicas da defesa. 

Os R$ 300 milhões são do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e operados pela Finep. Embora o apoio não exija devolução, as empresas devem oferecer contrapartida financeira proporcional ao aporte. Os valores podem ser aplicados em despesas diretamente ligadas ao desenvolvimento tecnológico, como equipe de pesquisa, serviços especializados, aquisição de equipamentos essenciais e materiais para prototipagem, sem incluir custos administrativos ou ações de marketing. 

Podem concorrer empresas brasileiras com fins lucrativos que atuem no setor e sejam classificadas como Empresas Estratégicas de Defesa (EED), conforme legislação específica. A companhia proponente deve manter essa condição durante toda a execução do projeto. 

É permitida a participação de coexecutoras nacionais, desde que atendam às exigências legais e comprovem atividade recente. A presença de pelo menos uma Instituição Científica ou Tecnológica (ICT) como parceira é obrigatória, reforçando a integração entre indústria e academia. 

Entidades sem fins lucrativos, pessoas físicas, cooperativas e microempreendedores individuais não são elegíveis. 

Como se inscrever: 

  • Documentação obrigatória: é necessário anexar contrato ou estatuto social atualizado, demonstrações contábeis do último exercício, apresentação detalhada em PDF (até 25 páginas), declarações legais e ambientais, além de um vídeo de até 10 minutos destacando a inovação e sua relevância estratégica 

A submissão deve ser concluída até 30 de setembro de 2026. Propostas enviadas fora da plataforma ou após o prazo não serão analisadas. 

Ascom/MCTI

Após a contratação, os projetos poderão ser executados em até 36 meses. A formalização depende da disponibilidade orçamentária e do atendimento integral aos critérios previstos no regulamento. 

O edital completo e as orientações detalhadas estão disponíveis no portal da Finep.


A Indústria de Defesa no Brasil em 2026 vive um momento de transição estratégica, deixando de ser vista apenas como um setor de “compra de armas” para se tornar um motor de inovação civil e soberania tecnológica.

O setor representa cerca de 4% do PIB brasileiro e gera mais de 2,9 milhões de empregos (diretos e indiretos), sendo um dos que mais investe em alta tecnologia no país.


🚀 Os Grandes Projetos Estruturantes

A inovação em defesa no Brasil é puxada por projetos de longo prazo das três Forças Armadas, que funcionam como “âncoras” para a indústria privada:

  • Aeronáutica (Gripen e KC-390): * O caça F-39 Gripen (parceria com a Saab) consolidou a transferência de tecnologia para a Embraer e outras empresas brasileiras (como a AEL Sistemas).

    • O KC-390 Millennium tornou-se um sucesso de exportação global (vendido para Portugal, Hungria, Holanda, Áustria, República Tcheca, Coreia do Sul e em negociações com a Arábia Saudita).

  • Marinha (PROSUB e Fragatas Tamandaré): * O PROSUB (Programa de Desenvolvimento de Submarinos) está na fase avançada do Álvaro Alberto, o primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear, um salto imenso em engenharia e física nuclear.

    • As Fragatas Classe Tamandaré, construídas em Itajaí (SC), são os navios de guerra mais modernos já fabricados no Brasil, com alta taxa de nacionalização de sistemas.

  • Exército (Guarani e Astros): * O blindado Guarani é exportado para vários países e sustenta uma cadeia produtiva de centenas de fornecedores em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul.

    • O sistema de mísseis Astros (Avibras) continua sendo uma referência mundial em artilharia de saturação.


🛡️ Cibergovernança e Guerra Eletrônica

Em 2026, a maior inovação não está no aço, mas no código. O Brasil elevou a Defesa Cibernética a um nível de prioridade nacional:

  • Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber): Atua na proteção de infraestruturas críticas (energia, comunicações e sistema financeiro).

  • Empresas de Defesa (EED): O governo criou incentivos para empresas nacionais de software (como a Kryptus e a Atech) desenvolverem criptografia e sistemas de comando e controle próprios, evitando espionagem estrangeira.


🧪 Dualidade Tecnológica: O “Spillover”

Um dos pilares da visão estratégica atual é o transbordamento (spillover): tecnologias criadas para a defesa que acabam na vida civil.

  • Drones e Satélites: Tecnologias de vigilância de fronteiras (SISFRON) agora são usadas no Agronegócio para monitoramento de safras.

  • Energia Nuclear: O reator desenvolvido para o submarino é a base para o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), que produzirá radioisótopos para tratamento de câncer em todo o país.


💰 Financiamento e Incentivos

Para as empresas do setor, existem mecanismos específicos de fomento:

  1. RETID (Regime Especial de Tributação para a Indústria de Defesa): Desoneração de tributos (IPI, PIS/PASEP, COFINS) para Empresas Estratégicas de Defesa.

  2. BNDES e FINEP: Linhas de crédito específicas para exportação de defesa e inovação em tecnologias críticas.

  3. Lei do Bem: Muito utilizada pelas EEDs para abater investimentos em pesquisa de novos materiais e algoritmos de defesa.


📍 O Polo de Defesa no Rio Grande do Sul

Vale destacar que o Rio Grande do Sul (especialmente Santa Maria, Porto Alegre e São Leopoldo) é o segundo maior polo de defesa do Brasil:

  • Concentra unidades da KMW (blindados Leopard), AEL Sistemas (eletrônica de aviação para o Gripen) e Taurus (maior exportadora de armas leves do mundo).

  • A SIMDE (Sindicato das Indústrias de Materiais de Defesa) tem forte atuação em Guaíba e região metropolitana para integrar fornecedores locais nessas cadeias globais.

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