Daniel Randon: Sem grandes projetos, sem grande futuro

Daniel Randon: Sem grandes projetos, sem grande futuro

Daniel Randon, Presidente | CEO na Randoncorp. Foto: divulgação

Na virada dos anos 1990, o Estado amargou com a desistência de instalação da Ford em Guaíba por questões políticas e fiscais. A empresa foi para a Bahia levando empregos presentes e impostos futuros. Eis um exemplo emblemático de como decisões e ambientes desfavoráveis resultam em perda de novos empregos locais, de aumento de arrecadação e de oportunidades de maior e mais sólido desenvolvimento regional.

A possível paralisação do Projeto Natureza da CMPC, em Barra do Ribeiro, por recomendação do Ministério Público Federal, pode levar à perda de R$ 27 bilhões em investimentos e comprometer a atração de outros projetos estruturantes que buscam um favorável e seguro ambiente institucional do Estado.

Para produzir 2,5 milhões de toneladas/ano de celulose, a CMPC criará 12 mil empregos durante as obras, em seu ponto alto, em 2028, além de outros 1,5 mil e 5 mil postos permanentes de trabalho, impactando a economia de 20 municípios.

É decisivo o papel de grandes investimentos estruturais no desenvolvimento econômico do Estado. Mais do que o recurso direto, eles formam enormes cadeias produtivas, atraindo novos negócios. Também estimulam a inovação e qualificam a mão de obra. Com isso, ampliam a base tributária de forma consistente. E tornam-se vetores de crescimento sustentável com efeitos multiplicadores quando conduzidos com total respeito ao marco legal e às exigências ambientais.

O RS tem potencial econômico, industrial, logístico e humano para receber este e outros projetos estruturantes. Basta garantir segurança jurídica, previsibilidade e equilíbrio nas decisões. A realidade fiscal desafiadora, com uma dívida impagável, engessa o avanço e impede o RS de crescer de maneira sustentável com ampliação de sua base econômica, produtiva e arrecadatória.

Não existe desenvolvimento social e ambiental sustentável sem desenvolvimento econômico. A geração de riqueza, de forma responsável, permite investir em educação, saúde, segurança, preservação ambiental e inclusão social.

Bloquear ou inviabilizar projetos estruturantes, sem uma visão sistêmica de longo prazo, compromete não apenas o presente, mas principalmente o futuro do Rio Grande do Sul.

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