Cláudia Costin: Somos a nona economia do mundo, precisamos parar de pensar pequeno

“Precisamos parar de pensar pequeno”, defende ex-diretora global de educação do Banco Mundial

Ela participou recentemente de um encontro no Instituto Caldeira, ao lado do diretor do Campus Caldeira, Felipe Amaral, e da presidente do Todos Pela Educação, Priscila Cruz, e destacou o fato de o Brasil já acumular experiências bem sucedidas em redes públicas.

” A Cláudia, no fim de 2024, passou a integrar o Conselho do Instituto Caldeira. Para nós, isso é muito relevante para que a gente possa inserir a pauta da educação em tudo que estamos fazendo aqui“, destacou Amaral.

A especialista destacou que políticas consistentes, metas claras e acompanhamento de resultados são elementos centrais desse avanço. E lembrou que o Brasil demorou a universalizar o acesso à educação básica e ainda enfrenta consequências desse atraso.

“O Brasil universalizou o acesso ao ensino fundamental apenas na primeira década do século XXI. Carregamos um histórico passivo. O desafio atual não é apenas manter crianças e jovens na escola, mas assegurar aprendizagem efetiva”, defende.

Na análise de Priscila Cruz, houve uma mudança estrutural a partir do fim dos anos 1990, com a consolidação de avaliações em larga escala, mecanismos de financiamento e definição de diretrizes curriculares. “O Brasil passou a ter política pública pensada em escala. Isso mudou o patamar da educação”, afirmou. Para ela, o país precisa abandonar tanto a visão fatalista quanto a complacência.

Ao abordar a Inteligência Artificial, Claudia Costin ressaltou dois eixos centrais. O primeiro é a necessidade de preparar os estudantes para um mundo em transformação.

Os sistemas educacionais que estão se saindo melhor estão focando em resolução colaborativa de problemas complexos, criatividade e pensamento crítico.

Competências socioemocionais e autonomia intelectual também foram apontadas como essenciais diante da automação de tarefas.

O segundo eixo é o uso da própria tecnologia como ferramenta de apoio ao professor. “A Inteligência Artificial pode ajudar na elaboração de planos de aula, na correção de redações e na personalização do ensino”, disse. Para a educadora, a tecnologia deve ampliar a capacidade do docente, e não substituí-lo.

Priscila Cruz enfatizou que a adoção da IA exige cautela e intencionalidade. “A gente pode usar a Inteligência Artificial de um jeito burro ou de um jeito inteligente”, afirmou. Segundo ela, o risco está na “terceirização da cognição”, quando a tecnologia passa a ocupar o lugar do processo formativo.

 “Se for para substituir o professor, está errado. A Inteligência Artificial tem que ser copiloto, não piloto.”

A  presidente do Todos Pela Educação disse que a aprendizagem é essencialmente relacional e depende da interação humana. Por isso, o uso de plataformas e ferramentas digitais deve estar subordinado a um projeto pedagógico claro. “A arte de fazer com que os alunos aprendam é uma arte humana. A tecnologia precisa servir a isso”, afirmou.

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