Os países têm interesse em cooperar em áreas como IA, estudos espaciais e energia nuclear. Foto: Daniel Kazeil/ASCOM MCTI
O secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Inácio Arruda, recebeu, nesta terça-feira (24), o embaixador da Finlândia no Brasil, Antti Kaski. Durante o encontro, as autoridades citaram as áreas em que os países têm interesse em cooperar.
Entre os assuntos que as nações veem possibilidade de interação estão inteligência artificial, estudos espaciais e energia nuclear. “Fico muito feliz com tudo o que falamos. Temos muito o que conversar e trabalhar”, disse o secretário Arruda ao fim da reunião.
Ecossistema de Inovação da Finlândia
O país consistentemente ocupa o topo dos rankings globais de inovação (como o Global Innovation Index), e sua jornada é marcada pela superação do “trauma” do declínio da Nokia, que forçou uma reinvenção completa da economia nacional. Aqui está uma apresentação estruturada sobre os pilares desse ecossistema:
1. O Conceito: Inovação como Estratégia de Sobrevivência
Para a Finlândia, inovar não é uma escolha, mas uma necessidade devido à sua pequena população e localização geográfica desafiadora. O modelo finlandês baseia-se na confiança radical e na colaboração público-privada, onde o governo atua como um facilitador de riscos.
2. Os Pilares da Governança (A Tríplice Hélice na Prática)
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Business Finland: A agência governamental que é o motor do ecossistema. Ela financia inovação, promove exportações e atrai investimentos. Seu foco é o “financiamento de risco” para projetos que ainda estão em estágio de pesquisa.
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VTT (Technical Research Centre of Finland): Um dos principais institutos de pesquisa da Europa. O VTT atua como uma ponte entre a academia e a indústria, focando em ciência aplicada e criação de novas tecnologias (Deep Tech).
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Universidade Aalto: Criada em 2010 pela fusão de universidades de tecnologia, economia e design. É o berço de uma cultura empreendedora vibrante e onde nasceu o Slush.
3. Verticais de Liderança Tecnológica
| Setor | Foco Principal |
| Tecnologias de Redes | Liderança global em 6G e infraestrutura de telecomunicações (legado e evolução da Nokia). |
| Economia Circular e Bioeconomia | Substituição de plásticos por soluções à base de madeira e fibras têxteis sustentáveis. |
| Quantum Computing | A Finlândia abriga um dos clusters de computação quântica mais promissores da Europa. |
| Saúde Digital (HealthTech) | Utilização de biobancos e dados genéticos para medicina preventiva e personalizada. |
4. O Fenômeno Slush e a Cultura Startup
O ecossistema finlandês é mundialmente famoso pelo Slush, o evento de startups mais “vibe” do mundo.
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Liderado por Estudantes: O evento é organizado majoritariamente por voluntários universitários, o que garante uma renovação constante de talentos.
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Ecossistema de Helsinki: A região de Helsinki concentra a maior densidade de startups per capita da Europa, com hubs como o Maria 01 (uma antiga clínica transformada em campus de tecnologia).
5. Por que o modelo finlandês funciona?
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Educação de Excelência: Um sistema educacional que foca em resolução de problemas e pensamento crítico desde a base.
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Baixa Hierarquia: A facilidade de acesso a CEOs e ministros permite que as decisões e parcerias ocorram de forma extremamente rápida.
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Investimento em R&D: O país investe quase 3% do seu PIB em Pesquisa e Desenvolvimento, um dos índices mais altos da OCDE.
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Resiliência (Sisu): O conceito finlandês de Sisu (coragem e determinação diante da adversidade) permeia o empreendedorismo local.
6. Conexão com o seu trabalho (Sebrae/Brasil)
A Finlândia é o exemplo perfeito do que o Sebraetec busca: a transformação de conhecimento científico em competitividade para a pequena empresa. Enquanto no Brasil ainda lutamos para conectar a universidade ao mercado, a Finlândia já opera em um estágio onde essa conexão é orgânica e subsidiada por agências como a Business Finland.