O Sistema FIERGS (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul) anunciou, em Porto Alegre (RS), no dia 26 de agosto de 2026, uma programação estratégica focada em sustentabilidade, inteligência artificial e modernização da agroindústria para a 49ª edição da Expointer. O evento, realizado no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), terá início no sábado, 29 de agosto de 2026, estendendo-se por nove dias. A participação da entidade visa fortalecer a integração entre a produção agrícola e o setor fabril por meio da realização do AgroConecta e de mais de 30 painéis técnicos na Casa da Indústria. A iniciativa aborda temas urgentes para a economia gaúcha, incluindo reforma tributária, barreiras tarifárias internacionais, transição energética e automação no campo, reafirmando o papel da indústria como motor tecnológico do agronegócio.
A articulação entre os dois setores representa um dos pilares de sustentação do produto interno bruto regional. Conforme levantamento do Observatório da Agroindústria do Sistema FIERGS, a cadeia agroindustrial gaúcha responde diretamente por mais de 77,4 mil postos de trabalho formais e abrange mais de 32 mil estabelecimentos produtivos no Rio Grande do Sul. Em termos de comércio exterior, o segmento consolidou sua relevância global ao movimentar US$ 31,4 bilhões em exportações no ciclo de 2025. O movimento institucional na feira busca ampliar esses indicadores ao conectar a produção primária a soluções avançadas de manufatura, agregando valor às commodities e otimizando processos operacionais.
O presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, destaca que a cooperação entre o segmento industrial e os produtores rurais é determinante para o avanço da eficiência produtiva e para a superação dos desafios econômicos estaduais. De acordo com o líder empresarial, a oferta de máquinas, insumos bioeconômicos e sistemas inteligentes por parte das fábricas garante que o campo alcance patamares mais elevados de produtividade. A feira consolida-se, assim, como um ambiente ideal para o alinhamento de estratégias comerciais, atração de investimentos e promoção da competitividade industrial do Rio Grande do Sul frente aos mercados nacional e internacional.
Tecnologias de automação e unidades móveis na Casa da Indústria
Instalada junto ao pavilhão de máquinas e equipamentos, a Casa da Indústria servirá como centro de inovação e relacionamento empresarial durante o evento. O espaço contará com uma sala imersiva dedicada à agroindústria e com a Vitrine da Indústria RS, plataforma interativa que permite a troca de créditos por produtos fabricados no estado. No campo tecnológico, o estande exibirá robôs e protótipos desenvolvidos pelo Cedra (Center for Embedded Devices and Research in Digital Agriculture), com destaque para o AgroBot. A solução propõe uma arquitetura modular de software e hardware focada na interoperabilidade entre tratores, robôs e sensores agrícolas, permitindo a gestão coordenada e adaptativa de frotas autônomas na agricultura de precisão.
Além das demonstrações de alta tecnologia, entidades integrantes da estrutura federativa disponibilizarão serviços operacionais de atendimento ao público e às empresas. A atuação conjunta das unidades operacionais visa capacitar mão de obra especializada, oferecer medicina preventiva para trabalhadores e incentivar a inserção de fornecedores locais nas cadeias de suprimentos industriais.
Sesi-RS: Presença da Unidade Móvel com o programa Saúde em Dia, oferecendo orientações e exames preventivos para a saúde do trabalhador.
Senai-RS: Atuação da Carreta do Saber com capacitações práticas em mecânica de máquinas e implementos agrícolas.
IEL-RS: Disponibilização da Unidade Móvel integrada à Plataforma OI (Oportunidades na Indústria), focada no desenvolvimento de fornecedores e carreiras corporativas.
Cedra (AgroBot): Demonstração de sistemas autônomos e arquitetura aberta de comunicação para equipamentos de agricultura digital.
A convergência entre a formação profissional promovida pelo Senai-RS e as demandas da agricultura digital reflete a rápida evolução dos maquinários agrícolas. A operação de equipamentos dotados de sensores de telemetria e pilotagem autônoma exige uma força de trabalho altamente qualificada. Dessa forma, as iniciativas apresentadas visam mitigar a escassez de técnicos especializados no interior do estado, garantindo suporte operacional para as tecnologias de última geração adotadas nas lavouras.
Debates estratégicos e acordos no fórum AgroConecta
Um dos momentos centrais da programação será a realização do AgroConecta no dia 2 de setembro de 2026, sediado na casa do Simers (Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul). O fórum foi estruturado para reunir lideranças empresariais, pesquisadores, autoridades governamentais e executivos do setor financeiro em torno de diretrizes para o desenvolvimento econômico da agroindústria. O ciclo de debates abordará restrições de crédito, transição tributária, comércio exterior e soluções tecnológicas para irrigação e gestão ambiental.
A pauta econômica dará destaque às dinâmicas de financiamento e às transformações impostas pela implementação da reforma tributária. Especialistas analisarão a transição para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), avaliando o impacto direto das novas alíquotas sobre a cadeia de máquinas agrícolas e insumos. O fórum também debaterá as oportunidades de exploração de minerais e fertilizantes a partir do subsolo gaúcho, reduzindo a dependência de insumos importados.
| Data e Horário | Painel / Evento | Temática Principal | Foco de Impacto Econômico |
| 31/08 – 15h | Materiais Avançados e Bioeconomia | Transformação de resíduos agropecuários em soluções industriais | Economia circular e redução de custos com matéria-prima |
| 01/09 – 14h30 | Tarifas dos EUA e Exportações | Barreiras comerciais e tributação de produtos do RS | Proteção de mercados internacionais e competitividade |
| 01/09 – 16h30 | Conexão Indústria e Invest RS | Assinatura de termo de cooperação institucional | Geração de oportunidades para fornecedores gaúchos |
| 02/09 – 10h15 | Crédito para Crescer (AgroConecta) | Gargalos no acesso a financiamentos e capital de giro | Desbloqueio de investimentos na agroindústria |
| 02/09 – 14h50 | IBS, CBS e a Porteira (AgroConecta) | Impacto da reforma tributária na agroindústria | Adequação fiscal para fabricantes e produtores |
| 03/09 – 10h | Assinatura de Convênio Financeiro | Parceria entre Badesul, Sicoob e Caixa | Linhas de crédito facilitadas para modernização |
| 03/09 – 15h30 | Acordo Mercosul-União Europeia | Oportunidades e desafios do tratado bi-regional | Acesso a novos mercados globais de consumo |
| 04/09 – 11h30 | RS+5: Energia para o RS | Infraestrutura energética para o desenvolvimento estadual | Segurança energética para plantas industriais |
Sustentabilidade, materiais avançados e comércio exterior
A programação técnica dedicará espaço expressivo à sustentabilidade aplicada aos processos fabris e ao desenvolvimento de embalagens de alto valor agregado. Painéis focados em polímeros de alta performance e materiais compósitos demonstrarão como a engenharia de materiais pode aumentar a durabilidade de máquinas agrícolas, reduzindo o desgaste mecânico e o consumo de combustível. A utilização de resíduos do agronegócio para a produção de polímeros biodegradáveis consolida a transição para a economia circular no parque industrial do estado.
No âmbito dos mercados internacionais, os debates abordarão as recentes incertezas geopolíticas e o impacto de barreiras não tarifárias exigidas por blocos compradores. As sessões orientarão pequenas e médias indústrias sobre processos práticos de exportação, habilitação para o comércio global e estratégias de diferenciação de marca baseadas em rastreabilidade, certificações ecológicas e mensuração da pegada de carbono.
Pegada de carbono: Metodologias para mensuração e neutralização de emissões nas cadeias de alimentos e bebidas.
Embalagens inteligentes: Aplicação de tecnologias biodegradáveis para preservação de alimentos exportados.
Materiais compósitos: Engenharia de estruturas leves para otimização de implementos agrícolas.
Rastreabilidade vitivinícola: Uso de tecnologia para certificação de origem e agregação de valor aos vinhos gaúchos.
A valorização dos insumos regionais e o aproveitamento de subprodutos da agroindústria surgem como vertentes estratégicas para impulsionar a rentabilidade dos estabelecimentos locais. Ao agregar tecnologia e biotecnologia em segmentos tradicionais, como a produção de queijos artesanais e a vitivinicultura, as empresas gaúchas expandem sua presença em canais de distribuição de maior margem no Brasil e no exterior.
Reestruturação produtiva e resiliência da agroindústria
O conjunto de iniciativas apresentadas para a Expointer reflete a necessidade de modernização contínua das infraestruturas de produção diante de eventos climáticos extremos e oscilações do mercado global. A integração entre centros de pesquisa, instituições de fomento e o setor fabril visa acelerar a transferência tecnológica para o campo, garantindo a continuidade das operações produtivas em cenários adversos.
A discussão sobre o programa RS+5 reforça a urgência de investimentos em segurança energética, garantindo o suprimento contínuo para unidades de processamento agroindustrial no interior do estado. A estabilidade no fornecimento de eletricidade e o acesso a fontes de energia renovável constituem precondições indispensáveis para a atração de novas plantas fabris e para a expansão das linhas de produção existentes.
Resiliência climática: Desenvolvimento de máquinas e processos adaptados às variações operacionais extremas.
Segurança energética: Expansão da infraestrutura de geração e distribuição de energia para o interior.
Governança corporativa: Profissionalização da gestão familiar em empresas que abastecem o setor produtivo.
A formação de lideranças e a retenção de talentos no ambiente industrial completam a agenda de competitividade. A colaboração entre instituições de ensino técnico e a iniciativa privada visa alinhar os currículos acadêmicos às reais demandas tecnológicas da agroindústria moderna, assegurando a renovação geracional dos quadros de engenharia e gestão no Rio Grande do Sul.
Análise Brasil Inovador
A forte presença da indústria na Expointer reafirma que o futuro da competitividade agropecuária depende diretamente da capacidade de integração tecnológica com o setor fabril. A transição para uma agricultura digital, sustentada por automação modular, robótica e inteligência artificial, posiciona a indústria de máquinas e implementos como o vetor central de produtividade do agronegócio. Em um cenário global marcado por exigências crescentes de descarbonização, rastreabilidade e barreiras tarifárias complexas, a agregação de valor por meio de materiais avançados e bioeconomia deixa de ser um diferencial estético para se tornar uma exigência de sobrevivência de mercado.
A médio e longo prazo, a consolidação de acordos comerciais estratégicos, combinada ao avanço das reformas estruturais e ao fortalecimento dos ecossistemas de inovação regional, definirá a capacidade do Rio Grande do Sul de manter sua liderança na produção sustentável de alimentos e na fabricação de tecnologia industrial para o mercado global.








