Inovabra e USP desenvolvem projetos para mitigar riscos no uso de IA e aprimorar a cibersegurança

Inovabra e USP desenvolvem projetos para mitigar riscos no uso de IA e aprimorar a cibersegurança

Na corrida global pela adoção de Inteligência Artificial (IA) generativa, a proteção de sistemas contra ameaças digitais complexas tornou-se uma prioridade estratégica. O inovabra, ecossistema de inovação do Bradesco, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), consolidou os resultados do segundo ano de um acordo de cooperação técnico-científica pioneiro. O objetivo central é investigar vulnerabilidades estruturais e desenvolver camadas avançadas de proteção e ferramentas de cibersegurança específicas para blindar agentes de IA e Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) contra fraudes e ciberataques de última geração.

À medida que os assistentes e agentes baseados em linguagem natural assumem rotinas e processos críticos nas organizações, emergem ameaças como os ataques de injeção de prompt (prompt injection), nos quais usuários maliciosos inserem instruções disfarçadas para forçar o modelo a burlar comandos de segurança anteriores, executar tarefas nocivas ou vazar dados sigilosos. Para solucionar um problema que desafia a engenharia de software mundial, o projeto uniu especialistas do banco e da academia sob uma abordagem metodológica interdisciplinar que integra cibersegurança, inteligência artificial e linguística.

Desafios teóricos e a complexidade na proteção de modelos biônicos

Diferente de sistemas de computação tradicionais, cujas regras lógicas e restrições são rígidas, os modelos de IA operam a partir de representações matemáticas fluidas obtidas no treinamento com bilhões de parâmetros na internet. Essa característica impõe limitações aos mecanismos convencionais de defesa e exige novas arquiteturas de segurança digital, conforme explicam as lideranças científicas da iniciativa:

  • Inversão de Paradigma de Programação: A IA gerativa introduz o uso de linguagem natural como código. O grande obstáculo reside no fato de que os modelos frequentemente não conseguem discernir com exatidão matemática as fronteiras onde terminam as diretrizes operacionais do sistema e onde começam os dados maliciosos inseridos pelo usuário.

  • A Fluidicidade das Categorias Temáticas: Restringir os tópicos e escopos que um agente inteligente pode abordar é um desafio em aberto na ciência da computação. Por operarem em redes de associação de padrões e não em categorias rígidas, a própria definição conceitual de “assunto” torna-se imprecisa, impedindo soluções de bloqueio baseadas em fórmulas matemáticas exatas.

  • Ausência de Transparência Interna (Black Box): A falta de uma base teórica sólida que explique minuciosamente os caminhos que os modelos de centenas de bilhões de parâmetros percorrem internamente para formular respostas dificulta a capacidade dos engenheiros de prever e conter comportamentos anômalos diante de cenários adversos de ataque.

Contribuições científicas de alta performance e premiação internacional

A parceria entre o inovabra e a USP colhe resultados práticos que elevam o patamar da ciência e da engenharia brasileiras no cenário internacional. Além de gerar componentes de software de proteção que mitigam os riscos de execução nas aplicações de IA atuais e futuras do Bradesco, o projeto rendeu à instituição financeira o prêmio internacional “The Innovators 2026”, concedido pela prestigiada revista Global Finance, especializada em inovação bancária.

No âmbito acadêmico e de formação de capital intelectual de alto valor agregado, os indicadores da cooperação técnica registram sólida tração:

Eixo de Produção Científica Métricas e Entregas Consolidadas
Artigos Científicos Publicados 8 artigos (incluindo conferências na China e Nova Zelândia).
Pesquisas de Pós-Graduação 3 trabalhos de doutorado e pós-doutorado concluídos.
Formação Acadêmica Adicional 3 dissertações de mestrado e 4 projetos de graduação desenvolvidos.
Liderança em Eventos Nacionais Organização do 1º evento brasileiro de segurança da IA no SBSeg 2026.
Reconhecimento da USP Classificação no top 50 do ranking de ciências interdisciplinares da THE.

## Brasil Inovador

O desenvolvimento de projetos conjuntos entre o inovabra e a USP para mitigar riscos em inteligência artificial posiciona o ecossistema brasileiro na fronteira do conhecimento em tecnologia defensiva, um avanço monitorado de perto pelo Brasil Inovador. Para o Brasil Inovador, a grande disrupção desse acordo técnico-científico reside na aplicação prática da ciência biônica para solucionar um dos maiores calcanhares de Aquiles da transformação digital: a vulnerabilidade de sistemas complexos. Em um momento no qual o mercado corporativo implementa IA generativa em escala massiva para otimizar a produtividade e a experiência do cliente, negligenciar barreiras estruturais contra injeções de prompt expõe as empresas a passivos reputacionais e financeiros imensuráveis. Unir a infraestrutura e os dados reais de um dos maiores bancos do país à capacidade de pesquisa da Escola Politécnica da USP transforma o conhecimento acadêmico em patentes e linhas de código com utilidade mercadológica real.

Sob a perspectiva de finanças corporativas, estratégia empresarial e soberania tecnológica, o verdadeiro impacto macroeconômico do projeto reside na retenção e formação de cérebros especializados em deep tech. A publicação de artigos internacionais e a premiação pela Global Finance chancelam a competência da engenharia nacional em atuar em temas de ponta, combatendo o “custo Brasil” pela via da inovação soberana. Ao estruturar os alicerces regulatórios, conceituais e práticos para que grandes corporações operem com IA sob rígidos padrões de governança de dados e segurança, essa cooperação público-privada cria um ambiente previsível para atração de capital de risco internacional. O modelo prova que aproximar o ecossistema privado da academia é o mecanismo mais célere para que o Brasil lidere a transição para uma economia digital baseada em conhecimento confiável e de alto valor agregado na América Latina.

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