Juliano Marchesine: Posicionamento digital de executivos é pré-requisito no ambiente corporativo

C-Levels que ignoram o posicionamento digital cedem espaço num ambiente onde o julgamento já é formado antes do primeiro contato

Por Juliano Marchesine, CEO da Backstage

No mundo corporativo, a reputação costuma ser tratada como algo que se aciona diante de uma oportunidade. Uma rodada de investimento que se aproxima, uma parceria estratégica em negociação, um cliente relevante no radar, e só então o executivo se lembra de que precisa construir presença. O problema é que, nesse momento, a percepção já foi formada. Quando uma demanda aparece, a conversa já começou, sem que o líder tenha dito uma palavra.

Dados do 6sense, com mais de 4.000 compradores B2B, mostram que 94% dos grupos de compra já têm um fornecedor favorito definido antes do primeiro contato com qualquer vendedor e esse favorito vence o negócio em mais de 80% dos casos.

Antes da reunião, antes da ligação, antes da apresentação formal, existe uma pesquisa silenciosa da reputação digital do líder, sendo raramente discutida no encontro. O decisor consulta, lê, observa sinais. E o que encontra no ambiente digital define o ponto de partida de tudo o que vem depois. É nesse intervalo invisível, entre o interesse e o contato, que a antecipação se torna vantagem competitiva.

Lideranças que comunicam com clareza e consistência no digital não estão se expondo, mas moldando como serão avaliadas quando a necessidade surgir. Porque quando a reputação é construída ao longo do tempo, a conversa começa em referência, não em apresentação.

Muitos executivos ainda resistem a esse movimento. Os argumentos são conhecidos como falta de tempo, receio de parecer autopromotor, sensação de que esse tipo de exposição não condiz com o perfil de uma liderança séria. Essa resistência, compreensível do ponto de vista cultural, representa, na prática, uma cessão voluntária de terreno num espaço onde o julgamento já está sendo formado, com ou sem a participação do líder.

A ausência também comunica.

O digital deixou de ser canal de divulgação para se tornar o espaço onde o julgamento é formado. E reputação construída com antecedência reduz ruído, diminui incerteza e encurta a distância entre percepção e decisão.

O relatório B2B Buyer Report, da Mixology Digital, confirma isso. 45% dos compradores apontam reputação no mercado como o principal critério para considerar um fornecedor confiável, à frente de avaliações de clientes e qualidade de conteúdo. Em contextos de alta competição por atenção e credibilidade, esse ativo acumulado representa uma vantagem concreta.

O posicionamento digital de um líder não substitui o produto, o resultado ou a competência. Mas, numa era em que o julgamento é formado antes do primeiro contato, ele determina se a conversa chega a acontecer. E, quando chega, em que posição ela começa.

É essa leitura que orienta as demandas que tenho lidado na Backstage, estruturar presença digital como ativo acumulado, não como reação tática a uma janela de oportunidade. Reputação não se ativa. Ela se constrói, ao longo do tempo, antes que alguém pergunte por ela.

Sobre o autor: Juliano Marchesine é empreendedor, CEO e co-fundador da Backstage, empresa especializada em posicionamento digital para líderes e executivos, acelerada pelo Insper.

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