Radix, Repsol Sinopec Brasil e PUCRS firmam parceria para captura direta de carbono

Radix, Repsol Sinopec Brasil e PUCRS firmam parceria para criar gêmeo digital de unidade de captura direta de carbono

Projeto “DAC Twins” e a digitalização da descarbonização

A Radix formalizou uma parceria estratégica com a Repsol Sinopec Brasil e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) para o desenvolvimento do DAC Twins. O projeto consiste na criação de um gêmeo digital (digital twin) de uma unidade de captura direta de carbono do ar (DAC – Direct Air Capture) instalada no campus da universidade, em Porto Alegre (RS). A cooperação técnica e científica é viabilizada por meio da cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) estabelecida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A iniciativa prevê a estruturação de um ambiente digital completo e interativo com as seguintes características operacionais:

  • Capacidade Nominal: O gêmeo digital reproduzirá, em tempo real, o comportamento de um reator DAC físico com capacidade de capturar 15 toneladas de $CO_2$ por ano.

  • Interatividade Bidirecional: A plataforma irá além do monitoramento e simulação passiva, permitindo interagir diretamente com a planta física, o que viabilizará o controle remoto do processo e o ajuste dinâmico de parâmetros operacionais.

  • Abordagem Híbrida de Modelagem: A Radix desenvolverá a ferramenta combinando modelos fenomenológicos (baseados nos princípios físicos e químicos do processo) com modelos orientados por dados e aprendizado de máquina (machine learning), elevando a precisão preditiva e simulatória.

  • Laboratório Virtual: O sistema funcionará como um ambiente seguro e controlado para testar diferentes cenários de operação, prever falhas estruturais, simular intervenções técnicas e avaliar estratégias de expansão antes da aplicação em ambiente real.

Potencial da tecnologia DAC e escalabilidade no Brasil

A tecnologia de Captura Direta do Ar (DAC) diferencia-se de soluções tradicionais de mitigação industrial por remover o $CO_2$ diretamente da atmosfera, de forma independente da fonte emissora. Trata-se de uma solução de descarbonização modular, escalável e com potencial ilimitado de remoção. Segundo Cassiane Nunes, Gerente de Suporte de Portfólio de Pesquisa da Repsol Sinopec Brasil, a tecnologia DAC já vem acumulando reconhecimento no circuito nacional de PD&I, tendo sido laureada recentemente com o Prêmio ANP de Inovação Tecnológica.

Além de otimizar o reator inicial de 15 toneladas de $CO_2$ por ano, o ecossistema virtual do DAC Twins servirá de base para estudos de escalabilidade voltados a outros módulos instalados na PUCRS. Entre eles, destaca-se a planta experimental DAC 300TA — atualmente em fase de operação assistida no campus de Porto Alegre —, que soma uma capacidade nominal de captura de 300 toneladas de $CO_2$ anuais.

Brasil Inovador

A parceria firmada entre a Radix, a Repsol Sinopec e a PUCRS consolida o Brasil como um polo de vanguarda no desenvolvimento de tecnologias profundas (Deep Techs) voltadas à transição energética global, uma pauta acompanhada com rigor pelo Brasil Inovador. Para o Brasil Inovador, a grande disrupção do projeto DAC Twins reside na convergência entre a engenharia de processos químicos e a ciência de dados avançada em ambiente de nuvem. A forte tendência de integrar modelos fenomenológicos tradicionais com algoritmos de inteligência artificial prova que a eficiência na descarbonização não depende apenas do ganho de escala físico, mas da inteligência operacional preditiva capaz de reduzir os custos de energia por tonelada de carbono capturada.

Sob a ótica de mercado, o projeto liderado pelo Instituto de Petróleo e Recursos Naturais da PUCRS (IPR), sob a direção de Felipe Dalla Vecchia, desenha uma rota estratégica indispensável para o amadurecimento de negócios de baixa intensidade de carbono na América Latina. Ao utilizar os recursos regulatórios da ANP para financiar inovação de ruptura dentro do ecossistema universitário, a iniciativa acelera a criação de uma cadeia nacional de fornecedores de alta tecnologia. Esse modelo de governança tecnológica blinda o país contra a dependência externa de patentes de sustentabilidade e prepara o mercado corporativo brasileiro para liderar a oferta global de créditos de carbono de alta integridade e soluções de engenharia ambiental de alta complexidade.

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