Tráfego vindo de IA cresce, mas varejistas ainda não veem impacto real em vendas

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Apesar do crescimento do uso de inteligências artificiais no e-commerce, o impacto direto dessas ferramentas nas vendas ainda é considerado limitado. A avaliação é da Dell, com base em análises e testes conduzidos pela empresa em 2026, divulgados em veículos especializados como o Search Engine Land.

Os dados indicam que o tráfego vindo de plataformas de IA, como assistentes conversacionais e mecanismos baseados em grandes modelos de linguagem, vem aumentando, mas ainda sem efeitos consistentes ou significativos na conversão em compras.

IA cresce como canal de descoberta, mas não fecha a venda

Segundo a Dell, o uso de IA no comércio eletrônico ainda está em fase inicial, com iniciativas em estágio de testes e prova de conceito. Nesse cenário, a tecnologia tem se mostrado mais eficiente como um canal de descoberta de produtos do que como um motor de decisão final.

A expectativa, de acordo com a empresa, é que essas soluções passem a funcionar como uma espécie de camada de agregação, reunindo opções e direcionando tráfego de forma semelhante ao que já ocorre em plataformas de viagens ou delivery.

Na prática, isso significa que a IA tende a influenciar o início da jornada de compra, mas não necessariamente a etapa de conversão.

Busca e experiência seguem como fatores decisivos

Mesmo com o avanço dessas tecnologias, a Dell aponta que o desempenho do e-commerce continua diretamente ligado a fatores já consolidados, como a facilidade de encontrar produtos e a qualidade da navegação dentro do site.

A avaliação é que, independentemente da origem do tráfego, seja por busca tradicional ou por IA, a conversão depende de uma experiência eficiente, intuitiva e confiável.

Para especialistas, esse cenário reforça que a tecnologia não substitui fundamentos do digital.

“A IA está ampliando os pontos de entrada do consumidor, mas ainda não mudou o que realmente faz alguém comprar. Se o usuário não encontra o produto de forma simples ou não confia na experiência, a venda não acontece”, afirma Felipe Cardoso, CEO da agência Rank Certo, referência de link building.

Segundo ele, o comportamento do consumidor ajuda a explicar essa dinâmica.

“Hoje, a IA funciona muito mais como topo de funil. Ela ajuda a descobrir, comparar e explorar opções. Mas a decisão final continua ligada à experiência dentro do ambiente de compra”, diz.

Outro ponto destacado pela Dell é que o comportamento do usuário vindo dessas plataformas ainda não apresenta um padrão consistente, o que dificulta mensurar impacto direto no desempenho das vendas.

Além disso, fatores como tipo de produto e jornada de compra continuam sendo determinantes, muitas vezes mais relevantes do que o canal de origem do tráfego.

Diante disso, a tendência é que a inteligência artificial seja incorporada ao e-commerce de forma complementar, sem substituir mecanismos já consolidados.

Para o setor, o recado é claro: a IA pode ganhar espaço como porta de entrada, mas a conversão segue dependendo de algo mais básico e ainda decisivo, a capacidade de oferecer uma boa experiência de busca e navegação.

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