A adesão amplia a inserção do País em redes de cooperação científica e tecnológica e fortalece a participação brasileira em agendas estratégicas de transição energética. Foto: divulgação
Primeira usina de ondas da América Latina, instalada no quebra-mar do Porto do Pecém, no Ceará, em 2012. Foto: Picasa/Coppe-UFRJ/Divulgação
Em busca da união de três frentes estratégicas — posicionamento global, formulação de política energética e atração de investimento — o Brasil passará a fazer parte da Agência Internacional de Energia (IEA). A participação brasileira será ancorada na transição energética, essencial no enfrentamento contra as mudanças climáticas e aquecimento global.
O Brasil será representado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O anúncio foi feito pelo diretor do Departamento de Programas Temáticos do MCTI, Leandro Pedron, e pelo diretor-geral do Inpo, Segen Estefen.
Para Leandro Pedron, a entrada do Brasil na IEA representa um avanço na estratégia nacional de transição energética. “A adesão à Agência Internacional de Energia é uma decisão estratégica do governo brasileiro. Olhar para o oceano como fonte de energia renovável é fundamental para o futuro da transição energética, e isso precisa ser tratado como prioridade”, afirmou. O representante do MCTI destacou ainda que a participação no programa amplia a presença do País em agendas internacionais e fortalece o papel do Inpo como articulador dessa agenda.
Por meio do Inpo, o País passará a integrar o programa Ocean Energy Systems (OES), uma das principais iniciativas globais dedicadas ao desenvolvimento de tecnologias de energia oceânica no âmbito da IEA. A adesão amplia a participação brasileira em redes internacionais de cooperação científica e tecnológica e fortalece sua participação em agendas estratégicas relacionadas à transição energética.
A IEA é uma organização intergovernamental voltada à coordenação de políticas energéticas, produção de dados e análises e promoção da cooperação entre países. Reconhecida como uma das principais referências globais no setor, a agência reúne programas dedicados ao desenvolvimento tecnológico em diferentes fontes renováveis, incluindo aquelas associadas ao ambiente marinho.
Cooperação internacional em energia oceânica
Criado em 2001, o OES é um programa internacional dedicado exclusivamente à energia oceânica, com foco no avanço tecnológico, na produção de conhecimento e na articulação de políticas públicas. Inserido no conjunto dos Technology Collaboration Programmes (TCPs) da IEA, o OES reúne países e instituições em torno do aproveitamento sustentável do potencial energético dos oceanos.
A energia oceânica abrange tecnologias que utilizam processos naturais do mar para geração de eletricidade, como ondas, marés, correntes, gradientes térmicos e de salinidade. Essas fontes são consideradas estratégicas por seu caráter renovável, elevada previsibilidade — especialmente no caso das marés — e complementaridade em relação a outras fontes, como a solar e a eólica.
Atualmente, o OES reúne cerca de 25 membros, entre países e organizações regionais, incluindo nações com forte tradição em pesquisa oceânica e inovação energética, como Reino Unido, França, Estados Unidos, China, Canadá, Japão, Irlanda, Portugal, Noruega e Austrália, além da União Europeia. Esse conjunto concentra parte significativa dos avanços tecnológicos, projetos-piloto e marcos regulatórios associados ao setor.
Na prática, o programa funciona como uma plataforma de cooperação internacional que conecta governos, centros de pesquisa e setor produtivo. Sua atuação inclui o desenvolvimento de projetos colaborativos, a elaboração de relatórios técnicos e recomendações de políticas públicas, o intercâmbio de dados e experiências e o apoio à validação de tecnologias em escala real.
A participação brasileira, por meio do Inpo, representa um passo estratégico para o fortalecimento da agenda nacional de energia azul. Ao integrar uma das principais redes internacionais do setor, o País amplia oportunidades de cooperação científica, acesso a conhecimento técnico especializado e participação na construção de diretrizes globais para o desenvolvimento sustentável da energia oceânica.