O Conselho do Prêmio Exportação RS promoveu, nesta terça-feira (7), o Almoço da Exportação. O evento, que reuniu cerca de 200 convidados, entre empresários, autoridades e lideranças do setor, na sede da Fecomércio-RS, em Porto Alegre, teve como tema central o painel “Como o duelo Estados Unidos – China redefine a exportação mundial”, conduzido pelos especialistas Fernando Ulrich e Ricardo Geromel. Foto: divulgação
Em um cenário de transição nas políticas comerciais das maiores potências globais, o debate buscou municiar o empresariado gaúcho com perspectivas estratégicas sobre tarifas, hegemonia monetária e inovação.
Ricardo Geromel, uma das principais vozes sobre China no Brasil, destacou a magnitude da relação comercial entre os países. “A China é o maior parceiro comercial do Brasil e de outros 120 países. No ano passado, o Brasil exportou para a China o dobro do que enviou para os Estados Unidos, o segundo maior parceiro”, explicou.
Ele também ressaltou que as tensões entre Washington e Pequim, iniciadas durante o governo Trump, beneficiaram inicialmente o agronegócio brasileiro. Atualmente, 71% das importações chinesas de soja vêm do Brasil, contra cerca de 20% dos Estados Unidos. No entanto, o especialista alertou para a concentração da pauta exportadora brasileira: “A principal diferença está na complexidade tecnológica. Enquanto o Brasil se concentra em quatro commodities (soja, petróleo, minério e carne), a China exporta produtos de alto valor agregado e diversificados, como veículos híbridos, painéis solares e baterias”.
Já o analista financeiro e especialista em economia da Escola Austríaca, Fernando Ulrich trouxe uma análise sob a ótica da economia global e do câmbio. Segundo ele, o mundo vive um nível de desequilíbrio raro na história, em que o consumo elevado dos Estados Unidos financia o superávit produtivo chinês. “A própria China já percebeu que este é um problema também para ela e hoje há quase uma unanimidade no país que é preciso tratar desses desequilíbrios. O fato é que a China consome muito pouco”, destaca.
Ulrich demonstrou cautela em relação ao futuro das tensões geopolíticas. “Neste momento, é difícil prever a duração desses conflitos. O que se pode afirmar é que, quanto mais o embate se prolonga, maiores tendem a ser os choques energéticos, com impacto direto sobre o Brasil”, avaliou. Ele reforçou que desequilíbrios dessa natureza historicamente resultam em crises econômicas e realinhamentos profundos nas cadeias produtivas globais.
O Presidente do Conselho do Prêmio Exportação RS, Rafael Biedermann Mariante, destacou que o tema do evento de hoje ajuda a traduzir o cenário para as empresas exportadoras do Rio Grande do Sul. “Este é um momento de reflexão essencial sobre o papel do Brasil no mercado global. Estamos oferecendo aos empresários gaúchos a visão necessária para antecipar tendências e garantir competitividade em um cenário internacional cada vez mais complexo”, destaca.
Sobre o Evento
O Almoço da Exportação integra a programação de conteúdo do Prêmio Exportação RS, promovido pelo Conselho do Prêmio Exportação RS. O evento reúne e mobiliza os principais representantes do comércio exterior do Rio Grande do Sul com o objetivo de inspirar, debater, refletir e inovar para o crescimento das exportações no Estado.