EMS projeta US$ 5 bilhões com semaglutida e entra na disputa final pela Medley, diz Marcus Sanchez, vice-presidente ao Capital Insights. Foto: divulgação
Em entrevista exclusiva ao Capital Insights, da CNN Brasil, Marcus Sanchez detalha ofensiva no mercado de GLP-1, projeta faturamento bilionário nos EUA e alerta para riscos de desindustrialização em meio à disputa pelo ativo da Sanofi
Em um movimento que sinaliza a intensificação da disputa no mercado de medicamentos para perda de peso e diabetes, a EMS, maior farmacêutica de capital nacional, projeta uma receita de US$ 5 bilhões em dez anos com as vendas de semaglutida no eixo Brasil-Estados Unidos. Em entrevista exclusiva aos apresentadores Lucinda Pinto, da CNN Money, e Wilian Miron, do Broadcast, durante o programa Capital Insights, da CNN Brasil, Marcus Sanchez, vice-presidente da companhia, detalhou a estratégia para capturar o que define como a “revolução dos GLP-1”, fundamentada em preços competitivos e na expansão internacional.
A ofensiva da EMS começa pela liraglutida, cujo primeiro ano de comercialização deve atingir 600 mil canetas, gerando um faturamento de R$ 150 milhões. O diferencial será o preço, com a meta de oferecer o produto por um valor 20% menor que o dos concorrentes atuais. Para a semaglutida, a ambição é ainda maior: a empresa espera faturar R$ 500 milhões logo no primeiro ano de vendas. Com pedidos de registro já depositados no FDA, a farmacêutica planeja entrar no mercado americano em 2031, após a queda da patente local. Sanchez destacou que o foco do desenvolvimento das canetas já contempla os requisitos técnicos brasileiros e americanos, não descartando a necessidade de novas estruturas fabris para atender essa demanda.
Paralelamente à expansão orgânica, a EMS confirmou o interesse na aquisição da Medley. O executivo descreveu o processo como “extremamente competitivo”, com diversos players na disputa, e previu que o anúncio do vencedor ocorra em meados de março de 2026. Sanchez demonstrou preocupação com a soberania industrial, alertando que o Brasil deve evitar a desindustrialização. Segundo ele, compradores estrangeiros podem promover um desinvestimento fabril, o que considera prejudicial ao país. O vice-presidente defendeu que o setor farmacêutico receba incentivos e relevância estratégica similares aos do agronegócio.
A escassez de mão de obra qualificada também foi apontada como um gargalo estrutural. Em um cenário que classificou como “próximo ao pleno emprego”, Sanchez revelou dificuldades em atrair técnicos e pesquisadores, defendendo uma intersecção mais eficiente entre universidades e a iniciativa privada. “Precisamos de mais engenheiros sendo engenheiros”, afirmou, criticando a migração de mentes brilhantes da academia para outros mercados que não a indústria.
No campo macroeconômico, a visão da companhia sobre a Reforma Tributária é de que a reforma será inicialmente neutra, mas há receio de que a reconfiguração dos incentivos estaduais eleve os custos após 2032. Sanchez ressaltou que a empresa decidiu, há uma década, concentrar sua principal planta produtiva na Zona Franca de Manaus para garantir competitividade. Sobre o cenário político, o executivo pediu estabilidade e propostas mais claras para a indústria, garantindo que, independentemente do governo de turno, o setor farmacêutico nacional está preparado para continuar investindo e democratizando o acesso a medicamentos.
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