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Indústria verde no Brasil pode exportar US$ 395 bilhões

Indústria verde no Brasil pode exportar US$ 395 bilhões

A corrida das maiores economias do mundo pela descarbonização e pelo cumprimento de metas como o Acordo de Paris vai criar a possibilidade de o Brasil faturar até US$ 395 bilhões a partir de exportações de produtos com selo sustentável, até 2032. A estimativa é do CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe), em números preliminares de um relatório que será publicado até novembro de 2023.

A janela de oportunidades favorecerá países que contam com recursos naturais abundantes e energia, predominantemente, renovável, com destaque para a América Latina e o Brasil, e que estejam, geograficamente, próximos de grandes centros consumidores.

Essas características são vantagens competitivas para atrair o fluxo de investimento de potências como os Estados Unidos e a União Europeia, que têm anunciado planos ambiciosos para cortar emissões de carbono nos próximos anos. O uso de fontes renováveis para subsidiar a descarbonização de plantas industriais intensivas no consumo de energia cria o cenário ideal para a estratégia chamada “powershoring”, que coloca o Brasil como um dos centros dessa corrida mundial para combater o aquecimento global.

A energia renovável, embora não seja o único fator necessário, é primordial para criar uma cadeia de produção de manufaturas sustentável, segundo especialistas. “O powershoring é ter um local com energia segura, barata, abundante e que não está sujeito a questões de geopolítica, sendo uma opção para essa necessidade de ter uma rede de produção”, explicou o vice-presidente do setor privado do CAF, Jorge Arbache. Ele é coautor do relatório “Resiliência com eficiência: como o powershoring pode colaborar para a descarbonização e o desenvolvimento econômico da América Latina e Caribe”, de 2022.

O banco de desenvolvimento mapeou projetos em andamento e futuros, com valores acima de US$ 1 bilhão, para fazer estimativas a respeito do potencial econômico do powershoring. No cenário mais conservador, o crescimento das exportações do Brasil por meio da estratégia seria de US$ 55,5 bilhões, de 2023 a 2032. A partir de um levantamento mais otimista, o potencial chega aos US$ 395 bilhões. Foram considerados projetos em setores como combustíveis minerais, produtos químicos, fertilizantes, plástico, celulose e papel, cerâmica, vidro, aço, ferro e alumínio.

Estudos conduzidos pelo CAF mostram que o Brasil dispõe de simultaneidade e complementaridade da produção de energias verdes e limpas a custos competitivos, importantes para esse movimento global de descentralização da produção. O custo nivelado (gastos associados à produção) da energia solar fotovoltaica, por exemplo, foi reduzido em 88%, de 2010 a 2021, enquanto o custo da eólica caiu 68%, mostra o relatório do banco assinado por Arbache.

No Brasil, 83,7% da energia produzida vêm de fontes renováveis, segundo dados do Sistema de Informações de Geração da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Destacam-se as fontes hídrica, eólica e solar, além da biomassa, que inclui os biocombustíveis, como etanol e biodiesel. A média de participação de fontes renováveis na matriz energética do Brasil supera a da América Latina e Caribe, que é de 33%, segundo relatório da Olade (Organização Latinoamericana de Energia), de 2022, sobre o Panorama Energético da América Latina e Caribe.

Segundo os especialistas, no Brasil, são diversos os setores industriais que podem potencializar a competitividade e promover uma neoindustrialização verde, aproveitando-se da energia renovável e da disponibilidade de recursos como a água, essencial em vários processos industriais. 

“As economias têm que passar por transformações produtivas para conseguirem emitir menos carbono até 2030 e até 2050. Existem regras que estão sendo impostas e que vão se constituir em verdadeiras barreiras verdes. Ao mesmo tempo que podemos questionar a forma como esses processos vêm sendo conduzidos nos países avançados, temos que apoiar as empresas brasileiras, em especial, as pequenas e médias para se adaptarem. O produto terá uma vantagem se for baseado, por exemplo, em energia limpa”, disse a gerente de política industrial da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Samantha Cunha. 

Para isso, o CAF já negocia o repasse de US$ 600 milhões ao BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) e ao BNB (Banco do Nordeste) para linhas de crédito voltadas ao desenvolvimento de plantas industriais de energia renovável.

INFRAESTRUTURA SUSTENTÁVEL

Para fazer parte da estratégia, entretanto, os países potenciais do powershoring devem também ter proximidade dos grandes centros consumidores e, principalmente, infraestrutura para produção totalmente sustentável, considerando matéria-prima, processos e descartes, e um ambiente regulatório seguro.

“Precisamos criar as condições para atrair os investimentos de indústrias que buscam energia limpa. Isso passa por medidas regulatórias e outras que tornam o ambiente de negócios mais competitivo, como melhorar a infraestrutura e simplificar os tributos. Precisamos atrair investimentos que estão buscando energias renováveis, como o hidrogênio verde, e criar a capacidade de desenvolver os equipamentos e ofertar a manutenção”, afirmou a gerente da CNI. 

Segundo Arbache, para o Brasil explorar o potencial dessa nova vertente industrial será necessária uma política de sustentabilidade consistente, com mudanças profundas na logística.

“Isso requer questões de licenciamentos, ter ZPEs (Zonas de Processamento de Exportações) acopladas a portos, adequação de portos e zonas industriais, além de investimento em ciência e tecnologia, porque estamos falando de muita inovação e setores de alta tecnologia. No aço, petroquímica, cerâmica, vidro, celulose verde… essas grandes âncoras de cadeias de produção têm um gigantesco potencial de faturamento e vão precisar de muitas médias e pequenas empresas ao redor”, disse o representante do CAF.

Nesse sentido, o Brasil precisará superar alguns desafios de infraestrutura para aproveitar todo o potencial da neoindustrialização e do powershoring. De acordo com levantamento da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), o deficit de investimentos em transporte/logística, energia elétrica, telecomunicações e saneamento foi de R$ 255 bilhões no país em 2022.

Para ter uma recuperação no planejamento estrutural, no fim de agosto de 2023, o governo federal entregou ao Congresso Nacional o PPA (Plano Plurianual) 2024-2027, que prevê R$ 997 bilhões para investimentos em inovação, produtividade e competitividade, em direção a uma economia verde, por meio dos ministérios de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e de Ciência e Tecnologia.

Na frente de operação desses recursos, os bancos de fomento desempenham um papel primordial. Segundo o diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, José Luiz Gordon, a agenda verde e de inovação é prioridade para os próximos anos.

“O Sistema Nacional de Fomento tem 34 instituições que representam 45% do crédito total do Brasil e mais de 80% do crédito de longo prazo. Pelo BNDES, são R$ 10 bilhões para o Fundo Clima e temos a linha TR, que é de 2% ao ano para inovação, com R$ 20 bilhões em 4 anos. São diversos projetos financiados, em áreas como aerogeradores e combustível sustentável de aviação”, disse o diretor. 

No Nordeste, que atualmente concentra os Estados com maior produção eólica do Brasil, segundo o Sistema de Informações de Geração da Aneel, o BNB soma um portfólio de mais de R$ 10 bilhões para energia renovável em 2023, de acordo com o economista-chefe do banco, Luiz Esteves. Coautor do estudo do CAF de 2022 sobre o powershoring, junto a Arbache, ele destaca que a região já tem atraído interesse de grandes indústrias para a produção de produtos verdes como aço, cimento e fertilizantes.

“O Nordeste tem projetos portuários e uma combinação de disponibilidade das fontes eólica e solar. Isso viabiliza aquele tipo de setor industrial que quer uma transição mais complexa. Todos terão que se enquadrar na transição energética de baixo carbono, mas há setores com maior emergência, principalmente aqueles com uso muito intensivo de energia e que, até então, vêm usando energia cinza (poluente)”, afirmou o economista. 

HIDROGÊNIO VERDE É UMA DAS APOSTAS 

A produção e exportação de hidrogênio verde (H2V) é um dos setores com potencial de desenvolvimento por meio do powershoring. O recurso é considerado o combustível do futuro, por ser feito a partir de energia renovável.

O estudo “Hidrogênio verde: uma oportunidade de geração de riqueza com sustentabilidade, para o Brasil e o mundo”, de 2021, da McKinsey & Company, destacou que a demanda de exportações do H2V para os EUA e para a Europa representa uma oportunidade de US$ 4 bilhões a US$ 6 bilhões para o Brasil até 2040.

Outros US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões são estimados para o mercado interno, para uso em caminhões, aço verde e indústria. A siderurgia está entre os setores potenciais, para produção de aço verde e HBI (Hot Briquetted Iron), derivado com menor emissão, além de amônia para fertilizantes e produtos químicos.


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