Coagro aborda barreiras internacionais que limitam a liderança do Brasil em biocombustíveis
O Brasil, um dos maiores produtores mundiais de alimentos e biocombustíveis, enfrenta uma barreira para conquistar os mercados da União Europeia e dos Estados Unidos nesse setor. Esses países impõem barreiras ao setor brasileiro, alegando preocupações com o desmatamento e a competição entre a produção de alimentos e biocombustíveis.
“É uma barreira falsa, que impede o país de avançar e se tornar líder mundial em biocombustíveis”, contestou o vice-presidente do Conselho Temático da Agroindústria (Coagro) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Pedro Robério, durante a primeira reunião ordinária do colegiado de 2025, realizada em Maceió-AL, nesta sexta-feira (28).
Segundo ele, o conselho temático convidou dois especialistas renomados para discutir o tema e subsidiar as ações em defesa do setor, que tem condições de atender às exigências dos mercados internacionais.
“O Brasil não cresce mais porque esses mercados estão travados por conta de alegações falsas, que dificultam as negociações. Vamos atuar para dissolver essa resistência e mostrar que o país é o mais preparado para liderar o mercado de biocombustíveis no mundo”, disse Robério.
Coagro reforça diálogo entre setor produtivo e governo
Pela primeira vez reunido fora de Brasília (DF), o Coagro acompanha a legislação, estuda e debate o aperfeiçoamento das regras, dos regulamentos e da tributação que impactam a agroindústria. O conselho também busca estreitar o diálogo entre empresas, governo e parlamentares para garantir a expansão do setor.
O Conselho é liderado pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA), José Carlos Lyra de Andrade, que fez a abertura da reunião. “Essa mobilização é muito importante porque, hoje, a agroindústria tem um peso muito grande para garantir o equilíbrio da nossa balança comercial. Essa é uma pauta a ser defendida tanto pelo setor produtivo quanto pelo governo”, afirmou.
Sustentabilidade e inovação impulsionam a competitividade brasileira
O chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Alexandre Alonso, destacou o trabalho feito no país pela sustentabilidade.
“A gente tem trabalhado do ponto de vista técnico, no desenvolvimento de novas tecnologias que permitam menores emissões de carbono, tanto da produção agrícola quanto na produção de biocombustível. E a gente tem que trabalhar muito para, efetivamente, demonstrar a sustentabilidade desses sistemas criativos no Brasil”, disse.
A sócia e pesquisadora sênior da Agroicone, Luciane Bachion, apresentou dados que reforçam a posição do Brasil. Entre 2000 e 2020, o desmatamento no país registrou uma queda de 50% e desenvolveu diversas alternativas para produzir biocombustíveis sem comprometer a produção de alimentos.
Segundo ela, o Brasil tem grande potencial para atender à demanda de biocombustíveis para aviação (SAF), por exemplo, sendo um dos principais produtores de matéria-prima. Além dos entraves impostos, principalmente, pela União Europeia, ela diz que o país precisa investir para agregar valor à sua produção e evitar a exportação de insumos seguida da importação do combustível refinado.
“Para superar as barreiras internacionais, o Brasil tem que demonstrar que sua produção não compromete a segurança alimentar, utilizando áreas de pastagem degradadas e tecnologias como o etanol de milho de segunda safra. O país aposta na conciliação entre biocombustíveis e produção de alimentos para se firmar como líder sustentável no setor”, afirmou.
Lideranças do setor participam da reunião
A reunião contou com a participação do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), André Luiz Baptista Lins Rocha; dos representantes da CNI, Cássia Cajueiro e Fabrício Silveira; das federações das Indústrias de Mato Grosso do Sul, Amaury Eduardo Pekelman, da Paraíba, Edmundo Coelho Barbosa, de Pernambuco, Renato Augusto Pontes Cunha, de São Paulo, Jacyr da Silva Costa Filho. Também estavam presentes no encontro os representantes da Abramagro, Manoel Gomes; Abag, Henrique Araújo; da Abiq, Fábio Scarcelli; e CICB, Emílio Carlos Bittar.
Texto: Wagner Melo / FIEA
Fotos: Mateus Beurlen / FIEA
Da Agência de Notícias da Indústria