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Daniel Santoro: Sensação de missão cumprida na ONG Parceiros Voluntários

Daniel Santoro: Sensação de missão cumprida na ONG Parceiros Voluntários

Sensação de Missão Cumprida

Daniel Santoro
Conselheiro de Administração | Mentoria Executiva | Consultor e Palestrante de Gestão, Governança e Estratégia 

O acúmulo das emoções, resultantes de um desafiador e intenso período como Presidente do Conselho de Administração da ONG Parceiros Voluntários , fez com que eu esperasse para me distanciar um pouco do evento sucessório para refletir e então registrar essa passagem.

No dia 13 de maio de 2024 encerrei meu ciclo à frente do Conselho de Administração de uma das principais e mais tradicionais ONGs brasileiras: Parceiros Voluntários.

Ainda que eu tenha sido voluntário e ocupado outras posições nessa instituição, desde a sua fundação, esse desafio foi totalmente diferente. Mesmo com uma vasta experiência em empresas, entidades associativas e com Governos, eu gosto de apontar que a ONG Parceiros Voluntários é uma organização absolutamente singular e de uma complexidade e impactos elevados.

Criada em 1997, a partir do olhar visionário da Maria Elena Pereira Johannpeter , em uma época em que mal existia o termo e o reconhecimento do que viria a ser o Terceiro Setor no Brasil, ela estabeleceu os fundamentos do Voluntariado organizado no Rio Grande do Sul. Em sua bagagem, veio a conjugação do olhar humano com a tecnologia de gestão característica do setor empresarial. Assim nasceu a alma Parceiros Voluntários: Coração & Mente.

Ao longo de 20 anos, sua fundadora foi sua liderança executiva, capturando para si a grande responsabilidade de construir uma instituição que pudesse criar valor social para todas as partes envolvidas. Como em todo empreendimento organizacional, chega um momento em que é necessário pensar, planejar e executar a sucessão da sua grande liderança. Com a Parceiros Voluntários não foi diferente – a própria Maria Elena decidiu pela sua sucessão. E, é aí que começou o meu desafio.

Como suceder uma liderança tão forte e tão marcante? Uma pessoa, uma mulher que superou o seu tempo, que se jogou de corpo e alma para criar uma instituição, construir uma marca, desenvolver um novo campo de estudo e de trabalho? De que forma manter a confiança e o engajamento com saída de quem sempre deu a identidade pública para a organização?

Como poderíamos preservar o propósito da organização, mas, atualizá-la na sua forma de atuar, já que ela havia nascido no século passado, aonde os computadores pessoais engatinhavam no Brasil e, no decorrer do tempo, as atividades humanas passaram por uma transformação digital? De que maneira poderíamos garantir a sustentabilidade econômica da instituição, tendo em vista a escassez dos recursos ano a ano?

Enfim, com essas e outras dúvidas, na segunda-feira dia 06 de abril de 2020, o novo Conselho de Administração assumiu o desafio de fazer o nosso melhor para dar continuidade a essa importante instituição que transformou e, ainda deveria transformar, a vida de milhões de brasileiros. Ocorre que na sexta-feira anterior a Assembleia Geral, na qual seria eleito o novo Conselho, foi decretada a Pandemia e o isolamento. O mundo parou.

Assim como todas as outras organizações do planeta, tivemos que aprender a sobreviver virtualmente. E, assim o fizemos. Conseguimos migrar a nossa Assembleia para o meio virtual e fizemos a transição da liderança.

Iniciamos um novo ciclo. A estratégia que adotamos foi estabelecer com absoluta clareza o que seria atribuição da Governança e da Gestão Executiva. A nossa organização contava com um grande líder executivo, o José Alfredo Nahas . Junto com ele, tomamos as difíceis decisões necessárias para poder sobreviver. Junto com ele e com a reduzida equipe da Parceiros, aprendemos a nos tornar digitalmente relevantes e humanamente sensíveis para contribuir com a sociedade com todo o conhecimento e experiência em fazer conexões sociais importantes para o enfrentamento da crise global.

Mudamos nosso posicionamento. Entendemos que deveríamos “ombrear” com todos os agentes da sociedade em busca das soluções. E, foi aí, que nasceu a campanha #SoJuntos, veiculada em rede nacional, procurando construir pontes e reduzir os conflitos do antagonismo.

Sofremos com as perdas e os medos da pandemia. A Parceiros Voluntários enfrentou com o apoio da sua Governança, Gestão Executiva e Voluntários os desafios e superou um a um os obstáculos do caminho. Sobrevivemos.

O saldo desse ciclo foi a redefinição de um modelo de sustentabilidade econômica da ONG, no qual, nos especializamos em transformar os mais de 20 anos de jornada, em tecnologias sociais aplicáveis para territórios e ecossistemas sociais. Desenvolvemos um novo formato de atender ao nosso objetivo de co-construir uma sociedade mais justa e sustentável para todos, por intermédio de assessoria a empresas que desejavam ou necessitavam equalizar a sua atuação social. E, vejam só, deu certo! A Parceiros Voluntários foi superavitária mesmo durante a pandemia. Reencontramos a nossa própria sustentabilidade.

Ao final do primeiro mandato, em abril de 2022, emergiu o desafio de revisitar o propósito da organização. Investigar, em especial, a transformação do Voluntariado ao longo das décadas tanto para nós, internamente, quanto na sociedade.

Fizemos pesquisas, montamos testes, criamos programas, contamos com consultorias externas e, tivemos muito diálogo. Chegamos lá! Revisitamos nosso Propósito. Voltamos a manifestar pública e assertivamente que nosso enfoque é o Voluntariado e a Educação para a Cidadania!

Ao ter isso claro, colocamos dois grandes projetos em curso. Inicialmente, criamos o Observatório do Voluntariado, destinado a ser um Think Tank e um repositório das informações sobre o Voluntariado no Brasil. E o segundo grande projeto, uma plataforma do VTM, Voluntariado Transformador Massivo, que será o Market Place para o Voluntariado no país. Enfim, foram e são tantas as conexões, pessoas, projetos que tornam o futuro da Parceiros muito promissor.

O destaque e, talvez a principal lição aprendida dessa jornada, que eu gostaria de ressaltar é – não há organização que possua sustentabilidade e excelência ao longo do tempo sem uma Governança robusta e adequada a sua necessidade.

Eu elegi a Governança como meu principal objeto de trabalho profissional – não foi por acaso. Foi por entender que é sim, um fator crítico de sucesso para qualquer tipo de organização, seja Terceiro Setor, Privada e Pública.

A Parceiros Voluntários construiu um sistema de Governança “padrão ouro”. Uma Governança que se traduz em confiança, estabilidade e prosperidade. Desenvolvemos ao longo dos anos uma arquitetura que incorpora integridade, transparência, equidade, responsabilidade e sustentabilidade – princípios da boa governança.

A partir de agora, o novo Conselho de Administração, liderado pelo estimado Abel Reis , adicionarão seus corações e mentes a nossa organização. Tenho certeza de que irão orgulhar a todos nós que fazemos parte dessa grande instituição brasileira.

Gostaria de destacar o apoio de tantas pessoas, em especial dos Conselheiros, colegas, dos dois mandatos. A dedicação de vocês foi fundamental para que superássemos tantos desafios. Agradeço a toda a Equipe de profissionais e voluntários, pois, nada disso foi feito por uma pessoa só. A construção se deu e se dá por todos juntos, #SóJuntos.

Meus sinceros agradecimentos aqueles que fizeram e fazem parte dessa jornada – em especial a minha grande parceira,Valéria Santoro que foi de uma paciência infindável ao me apoiar em todas as demandas e envolvimentos ao longo desse intenso período.

Sigo, a partir de agora, em outra instância da governança da Parceiros Voluntários – como Conselheiro Deliberativo, à disposição para contribuir e fazer as conexões necessárias para prosperidade, sustentabilidade e justiça de nosso Brasil. Obrigado de coração!