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Como a inovação está moldando o mercado de trabalho do futuro

Como a inovação está moldando o mercado de trabalho do futuro

Como a inovação está moldando o mercado de trabalho do futuro

Confira sete profissões impulsionadas pela transformação digital, novas tecnologias e modelos de negócio inovadores que ganham destaque em diferentes segmentos

Com inovações tecnológicas e novos modelos de negócio, setores como financeiro, vendas e marketing experimentam a necessidade de novos profissionais no mercado de trabalho.

Confira algumas das tendências apontadas por especialistas:

Marketing, Vendas e Sucesso do Cliente

Profissionais de Marketing, Vendas e Sucesso do Cliente (CS, na sigla em inglês) devem se preparar para o modelo de operações de receita chamado de Revenue Operations (RevOps), que reúne estratégias das três áreas na jornada digital de clientes para otimizar negócios de diferentes segmentos.

“O sincronismo entre essas áreas traz uma compreensão mais profunda sobre clientes e também sobre os objetivos da empresa. Observamos que profissionais que trabalham em um contexto de Revenue Operations conseguem direcionar seus esforços de forma mais estratégica, maximizando o potencial de crescimento da empresa em que atuam”, explica Fabio Duran, CEO da 8D Hubify, pioneira em RevOps no Brasil.

Em algumas companhias com uma visão consolidada sobre RevOps, a tendência é a formação de uma nova estrutura organizacional em que os departamentos de Vendas e CS respondem para uma pessoa executiva responsável por receita, com uma forte conexão e trabalho conjunto à diretoria de Marketing. Naquelas mais alinhadas ao cenário de crescimento da metodologia no país, essa pessoa assume a categoria de C-level na figura de Chief Revenue Officer (CRO).

“Com olhar integrado para a experiência do cliente, a função de CRO orquestra muitos elementos internos e externos e tem a responsabilidade pelo crescimento de receita da empresa. Competências analíticas e o entendimento de tendências e drivers por trás dos indicadores, além de uma boa habilidade em liderança por influência, são pontos importantes para assumir essa função. O objetivo é manter a melhoria contínua e o senso de objetivo comum da companhia, tirando o foco do atingimento de metas individuais de cada área envolvida”, explica Erika Tornice, CRO da RD Station, líder em soluções de tecnologia para marketing digital e vendas no Brasil.

Um segundo movimento no setor, que já é aposta nos canais de venda B2C (Business to Consumer, de vendas diretas para o consumidor final) e tem ganhado cada vez mais espaço também no B2B (Business to Business, com vendas para outros negócios), é a contratação de embaixadores, como estratégia de aproximação com clientes atuais ou futuros clientes, os chamados leads. Esses profissionais precisam ter uma autoridade consolidada e ser referência nos setores em que atuam para assumirem como embaixadores de uma marca, como explica Weverton Soares, gerente de marketing do Zoho CRM, ferramenta de vendas e relacionamento com o cliente da multinacional indiana Zoho. “No Brasil existe uma cultura digital muito forte em que o público confia nas pessoas que acompanham fielmente na internet. Se esses influenciadores têm conhecimento profundo de mercado em assuntos como vendas, por exemplo, podem usar isso a seu favor para assumirem o papel de embaixadores e fortalecer outras marcas”, avalia.

O Zoho CRM adota a estratégia de embaixadores para fortalecer seu posicionamento de mercado como principal CRM do país. A estratégia já representa 25% do investimento de marketing da marca. Atualmente, conta com 13 nomes, entre embaixadores externos e internos (da própria companhia) e influenciadores de mercado. Entre os nomes, está Aaron Ross, autor de Receita Previsível, o maior best-seller de vendas do mundo. “A figura de embaixador é uma das profissões do futuro, e esses cargos são para as pessoas capazes de compartilhar autoridade com as marcas contratantes, em espaços dentro e fora das redes sociais, e com conteúdo de qualidade para o público que o acompanha”, explica Soares.

Setor financeiro

No setor financeiro, a transformação digital também tem ajudado a reinventar profissões e democratizar o acesso a produtos e serviços financeiros. Um exemplo é o surgimento da profissão de personal banker, também chamada de bancário autônomo. O novo modelo de trabalho surgiu em resposta a uma demanda do mercado, gerando oportunidade para milhares de profissionais bancários migrarem para uma atividade que proporciona maior autonomia e flexibilidade, impulsionada pela tecnologia.

No Brasil, a Franq foi pioneira ao introduzir o conceito em 2019, contando inicialmente com a adesão de 40 personal bankers. Desde então, ao longo de quatro anos de atuação, a plataforma atraiu mais de 10 mil profissionais cadastrados, evidenciando a crescente relevância do modelo.

“Estamos criando uma comunidade em resposta às necessidades do mercado e reposicionando um profissional importante para a sociedade. O bancário autônomo atua como um gerente exclusivo para seus clientes, proporcionando acesso a uma variedade de instituições financeiras. Além disso, desempenha o papel de consultor e educador financeiro para seus clientes”, destaca Daniela Martins, CMO da Franq.

Outra aposta que responde a uma necessidade de mercado no setor financeiro no país está ligada ao crescimento expressivo do número de Instituições de Pagamento (IPs) – pessoa jurídica que viabiliza serviços de compra e venda e de movimentação de recursos, no âmbito de um arranjo de pagamento – e de Sociedades de Crédito Direto (SCDs), que realiza operações de financiamento e empréstimo, bem como conta de pagamento. O número de IPs saltou de 26 em 2020 para 107 em 2023 e o de SDCs, de 29 para 105 no mesmo período.
Segundo Camila Maria Rodrigues da Silva, CSO da CashWay, techfin que oferece soluções focadas em atender as demandas de Instituições Financeiras e de Pagamento, as instituições que vão operar com conta de pagamento de forma independente precisarão de pilotos de reserva bancária. “Esse profissional é fundamental para a operação das cabines de compensação, onde são feitas as transações por meio de PIX, TED ou boleto. A sua expertise está nos protocolos de segurança para essas transferências que, quando feitas internamente, são muito relevantes para a independência da instituição no mercado financeiro”, diz.

Pilotos de reserva bancária devem assegurar e gerenciar a disponibilidade e movimentação de recursos da instituição, supervisionando e administrando seu fluxo de caixa em conformidade com as obrigações estabelecidas pelo Sistema Financeiro Nacional (SFN) e dentro dos padrões e horários definidos pelo Banco Central. Por isso, o cargo é de grande responsabilidade e requer conhecimento dos produtos bancários e suas particularidades. Tipicamente, profissionais que vêm ocupando essa posição têm formação em áreas como economia, administração, engenharia, finanças ou campos relacionados, contudo, uma especialização específica para essa função é necessária.

Já no departamento de Finanças de grandes empresas, o alto volume de dados que precisam ser administrados diariamente não é novidade. A Dattos, líder em automação para análises financeiras no país, realizou levantamento que aponta: de 3 a 8 horas por dia é o período dedicado por 75% de financistas a atividades manuais e repetitivas.

Soluções baseadas em automação e inteligência artificial estão revertendo esse quadro, e especialistas apontam que profissionais financistas deverão assumir funções mais estratégicas, surgindo a figura de business partner de Finanças.

“Com as tecnologias certas, analistas de finanças e contabilidade devem se tornar mais empoderados, precisos e analíticos e ganhar tempo e qualidade de trabalho. Como consequência, esses profissionais devem se preparar para ter foco em contribuir com decisões para a empresa e atuar como parceiros de negócio, ou Business Partners. Isso trará mais relevância para a área de Finanças dentro de grandes corporações, que espelharão o novo modelo para o mercado como um todo”, aponta Nano Henderson, diretor comercial da Dattos e futurista formado na metodologia Foresight, pelo Instituto Copenhagen de Estudos Futuros (CIFS).

Cultura organizacional

A preocupação com a saúde mental no Brasil já é uma realidade. Isso fica claro na pesquisa “Panorama do bem-estar corporativo”, divulgada pelo Gympass, com perspectivas para 2024. Os dados mostram que 93% dos entrevistados consideram o bem-estar tão importante quanto o salário e 96% dizem que, na busca por um novo emprego, levarão em conta apenas lugares que priorizam este fator na cultura organizacional. Por isso, empresas estão criando a diretoria de Felicidade, liderada por uma pessoa executiva responsável pela felicidade corporativa e pela construção de relacionamentos saudáveis nas equipes e com os gestores.

“As empresas precisam se adaptar ao novo cenário para atrair e reter verdadeiros talentos. Não é mais verdade que as pessoas são substituíveis em seus empregos, principalmente aquelas mais engajadas e com responsabilidades consistentes, por isso as empresas querem que a equipe trabalhe feliz, considerando os resultados que isso traz para a qualidade das entregas. A verdade é que as pessoas sempre guardam conhecimentos e informações importantes das organizações e é estratégico mantê-las”, explica Rodrigo Roncaglio, fundador e CEO da Guia da Alma, startup com soluções de saúde mental para pessoas e empresas.

No Brasil, empresas como Chilli Beans, Heineken, Google e outras de grande porte já garantiram espaço para esses profissionais em suas equipes. São pessoas com diferentes formações, mas com treinamentos e especializações voltadas para a felicidade. “Cargos como esse são especialmente importantes em um contexto de trabalho com o público da geração Z, que tendem a dar mais valor à integração equilibrada entre trabalho e vida pessoal”, diz Liana Chiaradia, co-fundadora e CMO da Guia da Alma.

Mais diversidade

A diversidade, realidade histórica da população brasileira – constituída por pessoas de vários grupos e etnias -, ainda está distante de alcançar todas empresas, de diferentes portes. As diferenças de cargos e salários e oportunidades de carreira entre as pessoas são grandes, muito por causa dos preconceitos de raça e gênero, enraizados na construção do país. Essa questão, porém, chegou para ficar no mundo corporativo, que deve cada mais exigir dos profissionais, em especial das lideranças, a capacidade de criar ambientes mais diversos e inclusivos, movimento que resulta também na promoção de inovação.

O assunto da diversidade é popular na internet e nas mesas de bares, mas quando tratado com profundidade traz grande desconforto por mexer em temas estruturais da construção da sociedade brasileira. No mundo corporativo, tradicionalmente liderado por pessoas brancas, não é diferente: as lideranças precisam encarar o assunto com seriedade ou serão engolidas pela temática se estiverem despreparadas. Para fazer a gestão e ajudar na aplicação de letramentos quanto a diversidade nas empresas, são contratadas pessoas diretoras de diversidade.

“Primeiro, entendendo que é, antes, uma questão de risco. Políticas de combate ao assédio, de equidade salarial e de gênero e cota para Pcds são obrigatórias por lei e os crimes de racismo e injúria racial crescem em condenações e denúncias a cada ano. E em segundo lugar, já observamos resultados consistentes de negócio e autoridade para as companhias em muitos mercados a partir de boas práticas de diversidade e inclusão. Cabe à pessoa diretora de diversidade garantir um ambiente no qual todos se sintam respeitados, valorizados e seguros”, explica Eliezer Leal, fundador e diretor da Singuê, consultoria que atende grandes empresas em temáticas de pessoas com deficiência, raciais, de gênero e outros.