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Com investimento de R$ 26 milhões até 2025, Nestlé busca qualificar até quem não passa na entrevista

Com investimento de R$ 26 milhões até 2025, Nestlé busca qualificar até quem não passa na entrevista

Companhia investe em programas de treinamento desde o processo seletivo até na formação de jovens empreendedores e tem apoio de mais de 100 empresas para gerar impacto social

“Quando a companhia entende que uma boa prática de RH faz sentindo em outros países, nós a escalamos”, afirma Enrique Rueda, vice-presidente de RH e Compliance da Nestlé Brasil, ao citar o programa “Nestlé Needs Youth” que completou 10 anos em 2023, alcançando a marca de 5 milhões de jovens impactados ao redor do mundo. Destes, 50% estão na América Latina.

O Youth é uma estratégia global da Nestlé que tem como missão ajudar o jovem que termina a fase escolar e precisa ingressar no mercado de trabalho. O programa nasceu em 2013 na Europa, em meio a uma crise social de alguns países, especialmente Grécia e Portugal, que apresentavam nível de desemprego superior a 50%, mas logo depois se espalhou para outros continentes, afirma Rueda.

“Rapidamente entendemos que era uma problemática em todo o mundo e apostamos nessa iniciativa em outros países. Em 2015 o programa chegou ao Brasil, porque entendemos que os jovens são o futuro da nossa sociedade e são os que possuem maiores desafios em termos de empregabilidade, por isso queremos fazer parte da solução”.

No Brasil, o programa já impactou mais de 500 mil jovens por meio de diferentes iniciativas, desde programas que oferecem empregos diretos na Nestlé, como os programas de trainee, estágios e aprendiz, assim como programas de empreendedorismo que oferece treinamento para profissionais de diferentes áreas, diz o executivo.

“Nosso compromisso, que começou em 2000, é de contratar 8 milhões de jovens como Nestlé até 2025 no Brasil. Por ano já contratamos cerca de mil estagiários e aprendizes. E temos a iniciativa de treinamento, em que preparamos mais de 150 mil jovens no país para ajudá-los a ingressar no mercado de forma mais preparada.”

Treinamento desde a fase de recrutamento

O programa de trainee da Nestlé normalmente recebe entre 35 e 45 mil candidatos por ano no Brasil, para cerca de 20 a 25 vagas. “Como vimos que há um nível alto de frustração, começamos a oferecer treinamento durante o processo seletivo, para melhorar as skills e ajudar o profissional a se preparar melhor para o mercado, seja para vagas na Nestlé ou em outras companhias”, diz Rueda, que afirma que em 2023 o treinamento que é online já alcançou a maior parte das pessoas que se candidataram.

“Mais de 70% dos candidatos realizaram o treinamento no último ano, esse dado mostra que o jovem está buscando por qualificação, mesmo quando não selecionado. O curso pode ajudar as pessoas a se prepararem para um processo de recrutamento e traz aulas sobre sustentabilidade e tecnologia, como Excel.”

A Nestlé contrata em média 2.500 jovens por ano. Por saber desse impacto direto no recrutamento dos jovens, o executivo afirma que existe uma busca permanente de encontrar formas de apoiar jovens e demais profissionais, não apenas no começo, mas também na jornada do funcionário.

Ações internas: Diversidade

“Estamos presentes em praticamente 99% dos lares do Brasil. É muito importante estarmos conectados o tempo todo com as necessidades da sociedade, entender os nossos consumidores e os nossos empregados,” diz Rueda que destaca o tema diversidade como uma das missões da companhia.

Para entender as necessidades e desejos dos jovens talentos, a Nestlé tem uma unidade que se chama de C.Lab, que foi criada durante a pandemia e que tem como um dos objetivos a missão de pesquisar a sociedade e entender os jovens. Recentemente, o laboratório fez a pesquisa “Jovens brasileiros, desejos e mercado de trabalho”, que identificou três áreas que para os jovens hoje são muito importantes:

Diversidade e inclusão: a importância de estar em um ambiente onde você se sinta respeitado por ser quem é e tenha inspirações. Segundo a pesquisa, os jovens têm dificuldade em encontrar inspiração na companhia: 40% dos jovens não têm ninguém que possa ser uma inspiração e, para aqueles que o fazem, sua principal inspiração são seus pais e familiares, porque os consideram fortes, trabalhadores e que superadores das adversidades;

Saúde e bem-estar: pós pandemia, todos entendemos a importância do tema. Segundo a pesquisa, os jovens preferem focar na saúde e bem-estar (42%) no curto prazo, mas entendem que a carreira deve ser prioridade (45%) no longo prazo;

Motivação: considerando as dificuldades, a pesquisa mostra que os jovens que trabalham relataram que ainda não trabalham no emprego que desejam. Além disso, 67% usam o salário para complementar a renda familiar.

“Precisamos melhorar a empregabilidade e o treinamento tanto dos funcionários quanto da sociedade no geral. E sobre diversidade e inclusão, temos uma visão muito simples com um tema tão desafiador. Queremos ser o espelho da sociedade brasileira, e acreditamos que temos os processos que nos permitem ser esse espelho”, diz Rueda.

Como exemplo de práticas de diversidade, o executivo cita o recrutamento, seja por meio do estágio ou trainee, em que há uma porcentagem reservada para candidatos negros e mulheres.

“Além de respeitar, você tem que tomar ações no dia a dia para fazer desse respeito uma realidade. A última iniciativa foi um programa de apoio a violência doméstica. Temos um outro grupo para raça, outro para PCD, e outro para profissionais maiores de 50 anos.”

Como resultado, mais de 40% dos líderes da Nestlé Brasil são mulheres e 19% são negros, afirma o VP de RH da companhia.

“Não gostamos muito de cotas, acreditamos mais em programas que acelerem essa missão. Temos um programa para mulheres que é o “Empoderar”, em que ajuda as mulheres a se prepararem para programas de liderança. E temos esse mesmo programa para líderes negros.”

Para o executivo que trabalha na companhia há mais de 14 anos, diversidade é recrutamento e inclusão são as práticas do dia a dia. “Temos que garantir no dia a dia como ter uma mente inclusiva”.

Saúde e bem-estar

Há uma revolução importante nos jovens em relação à saúde e bem-estar, que é algo que no passado não estava no radar, afirma o executivo, que cita que além do regime híbrido no escritório, foi criado outras ações para atender a essa nova demanda, como um aplicativo que pode ser usado por profissionais de diferentes áreas e regiões. Por meio do app “Bem-Estar” profissionais podem encontrar aulas sobre meditação e atividades físicas e até participar de diversos desafios de saúde de forma voluntária. Durante 2 ou 3 semanas é possível competir com os colegas e juntar pontos, seja por meio de uma caminhada ou uma hora de yoga.

“Os nossos funcionários trabalham em uma empresa de nutrição, saúde e bem-estar, e queremos trazer essa expertise para o nosso dia a dia. A ideia com essas ações é gerar um estilo de vida mais saudável e reter profissionais qualificados. Para isso, foi preciso escutar os funcionários, buscar uma resposta inovadora e apostar nesta resposta”, diz Rueda.

Motivação

Para manter o time mais engajado e qualificado, a companhia criou três programas internos, que ajudam os funcionários tanto a se qualificarem, quanto a se desenvolverem em outras áreas:

People Match: plataforma que funciona como um “LinkedIn” interno, em que os funcionários cadastram seus hobbies e competências. Os gestores da companhia também têm acesso a essa plataforma e colocam projetos que precisam ser desenvolvidos dentro da companhia e que podem contar com a expertise do funcionário de outras áreas.

“Foi uma forma de unirmos as paixões com os projetos. Isso permite que a força de trabalho da companhia tenha experiências em outras áreas, desenvolvendo novas competências e gerando oportunidades futuras de transição de carreira”, diz Rueda.

A companhia oferece ainda a possibilidade para que os funcionários atuem em áreas diferentes com o objetivo de desenvolvimento. São as chamadas “missões para outras áreas”. Nesse caso, a pessoa é transferida temporariamente para desempenhar outra função por um tempo determinado. “Normalmente, essas experiências acontecem para cobrir férias, licenças ou para algum projeto específico”, diz o executivo.

Talent Hub: plataforma de desenvolvimento disponível aos profissionais avaliados com alta performance nos últimos dois anos, que conta com um orçamento que pode ser usado em cursos de idiomas, especializações, livros e demais programas voltados para qualificação profissional.

“Esses funcionários recebem um orçamento anual para investir em conhecimento, tendo autonomia para escolher entre as diversas opções de desenvolvimento, desde uma pós até um curso de idiomas, só precisa fazer sentido para a sua carreira”, afirma Rueda.

Nestlé Carreira: Semana de Carreira da Nestlé que tem como objetivo dar visibilidade a todas as possibilidades de carreira que a companhia oferece, considerando todas suas unidades de negócios, diferentes áreas e operações.

“A programação conta com quadros sobre como potencializar jornada profissional, oportunidades de carreira internacional, efetivação de estagiários e aprendizes”, diz o VP de RH.

O apoio ao empreendedorismo

“É interessante quando os nossos negócios começam a fazer parte de outros negócios”, diz Rueda ao se referir aos programas de treinamentos que ajudam a formar novos empreendedores, como jovens veterinários, jovens nutricionistas e jovens baristas fora das unidades da Nestlé.

“Além de investirmos em treinamentos e simpósios que ajudam na formação de jovens nutricionistas e veterinários, temos um treinamento que também prepara jovens chefes e baristas, que é mais uma atividade voltada para o empreendedorismo social. Hoje em São Paulo, por exemplo, você encontra várias cafeterias com jovens baristas treinados pela Nestlé”, diz Rueda.

Todas essas ações da Nestlé, sejam elas internas ou de treinamentos para empreendedores, segundo Rueda, fazem parte do primeiro pacote de ações, em que a companhia percebe como pode contribuir diretamente com os jovens, ou seja, como a empresa assume o compromisso e gera impacto na sociedade. Já o segundo passo conta com o apoio externo.

O segundo passo: unindo forças com outras empresas

Outra forma da Nestlé buscar fazer a diferença na vida dos jovens é juntando forças com outras empresas. “Como segundo passo, nós entendemos que somos uma empresa com presença importante no Brasil, mas que precisamos juntar forças para ter um impacto ainda maior. E para isso convidamos outras empresas para fazerem parte do movimento”, diz o VP de RH da Nestlé Brasil.

Hoje a Nestlé conta com o apoio de mais de 100 empresas no Brasil, como Bradesco, Cargil, L’Oréal, que trabalham conjuntamente em iniciativas pelos jovens.

“Temos um problema grande no Brasil com mais de 7 milhões de pessoas desempregadas, por isso estamos apostando em diferentes ações e todo o apoio é bem-vindo para este movimento”, afirma Rueda.

Nesta direção, em 2023 a Nestlé criou a plataforma “Conecta” em que todos os participantes ao terminar um dos programas de treinamento podem cadastrar suas skills na plataforma, a qual conta com recrutadores dessas empresas parceiras. “É um passo adicional onde conectamos as necessidades de funcionários com as das empresas.”

No Brasil, a Nestlé emprega mais de 30 mil pessoas e irá investir mais de R$26 milhões até 2025 em programas voltados à capacitação e inclusão no mercado de trabalho. O objetivo da companhia é multiplicar esse investimento com as alianças corporativas. “Nossa prioridade é consolidar esses programas e potencializar a participação dessas 100 empresas, porque o impacto social pode ser ainda maior”, diz Rueda.

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